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ABAV Expo 2026: o que a maior vitrine do turismo deixa de recado para o Maranhão

Foto do escritor: reginaldorodrigues3
reginaldorodrigues3
há 12 minutos
4 min de leitura

Entre negócios, tecnologia, sustentabilidade, novos segmentos e qualificação, feira em São Paulo aponta caminhos para um Maranhão que já possui grandes atrativos, mas precisa avançar cada vez mais na transformação desses ativos em produtos turísticos competitivos


SÃO PAULO – Mais do que uma grande exposição de destinos, a 53ª ABAV Expo está deixando algumas mensagens bastante claras para quem percorre os corredores do Expo Center Norte, em São Paulo: no turismo contemporâneo, não basta possuir atrativos. É necessário transformar potencial em produto, produto em experiência e experiência em negócio.


A feira começou na quarta-feira (30) e segue até sexta-feira (2), reunindo agentes de viagens, operadores, destinos, companhias aéreas, hotelaria, tecnologia e outros segmentos da cadeia turística. A expectativa da organização é superar 40 mil participantes e reunir mais de 2 mil marcas expositoras.


Para o Cazumbá, que acompanha a atividade turística maranhense há 26 anos, talvez essa seja uma das leituras mais importantes desta edição da feira.


O Maranhão não precisa descobrir que tem potencial turístico. Isso nós já sabemos.


Temos os Lençóis Maranhenses, a Chapada das Mesas, o Delta das Américas, São Luís e seu patrimônio histórico e cultural, Alcântara, uma costa extensa, manifestações populares, gastronomia, comunidades tradicionais e uma diversidade de paisagens que poucos estados brasileiros conseguem reunir.


A pergunta que a ABAV provoca é outra: quanto desse potencial está efetivamente formatado, distribuído e comercializado no mercado?


Negócio precisa estar no centro


Uma das marcas desta edição é justamente a aproximação entre quem possui o produto e quem efetivamente pode colocá-lo no mercado.


O Buyers Club reúne compradores e DMCs nacionais e internacionais para aproximação comercial com os expositores. Operadoras também ganharam ambiente específico para relacionamento com agentes de viagens.


Essa lógica interessa diretamente ao Maranhão.


Participar de uma feira como a ABAV é importante para promoção institucional, mas a presença ganha outra dimensão quando empresários maranhenses conseguem sentar diante de operadores e compradores, apresentar produtos com preço, duração, logística, capacidade de atendimento e condições comerciais.


É quando a promoção começa a virar venda.


A própria participação empresarial na feira reforça essa percepção. Na Rota das Emoções, roteiro integrado que envolve Maranhão, Piauí e Ceará - empresários estão aproveitando o ambiente da ABAV para buscar novas conexões comerciais e ampliar a presença do roteiro no mercado.


Natureza: oportunidade que combina com o Maranhão


Outro debate que merece atenção especial envolve o turismo de natureza e aventura.


A programação da ABAV coloca em discussão como os ativos naturais brasileiros podem ser transformados em experiências competitivas, sustentáveis e capazes de gerar desenvolvimento econômico para as comunidades.


Poucos temas poderiam conversar tanto com o Maranhão.


Lençóis Maranhenses, Chapada das Mesas, Delta das Américas e outras áreas naturais colocam o estado em posição privilegiada. Mas paisagem, isoladamente, não constitui produto turístico completo.


É preciso acesso, hospedagem, alimentação, receptivo, guias, informação, segurança, conectividade, experiências complementares e integração com as comunidades.


O desafio é fazer com que o visitante não apenas chegue, fotografe e vá embora, mas permaneça mais tempo, consuma mais experiências e distribua renda no território.


Eventos também fazem viajar


Outro conceito discutido nesta quinta-feira (1º) é o chamado Live Tourism, relacionado à capacidade de shows, festivais, eventos esportivos e congressos de motivarem viagens e ampliarem permanência e consumo nos destinos.


Também aqui o Maranhão tem muito a observar.


São João, Carnaval, festas religiosas, festivais, manifestações culturais e eventos de negócios podem ser trabalhados não somente como programação para quem já está no destino, mas como motivadores da própria viagem.


Isso exige calendário antecipado, comunicação, pacotes, articulação com hotelaria, receptivos, companhias aéreas, bares e restaurantes e comercialização pelas agências e operadoras.


Cultura e identidade também são produtos turísticos


Afroturismo e etnoturismo estão entre os temas da programação da ABAV Expo 2026.


Para um estado com a formação histórica e cultural do Maranhão, essa discussão abre possibilidades que vão muito além dos produtos tradicionais.


Comunidades quilombolas, povos indígenas, religiosidade, gastronomia, memória, patrimônio e manifestações culturais podem gerar experiências turísticas - desde que construídas com participação das próprias comunidades, respeito à identidade e geração de benefícios locais.


São Luís, especialmente, possui matéria-prima abundante para esse tipo de turismo de experiência.


Tecnologia entrou definitivamente na viagem


Inteligência artificial, marketing digital, automação e novas tecnologias também ocupam espaço importante na feira.


A ABAV Travel Tech reúne soluções para gestão, pagamentos, conectividade, CRM, distribuição e operação das empresas turísticas, enquanto a programação de capacitação apresenta aplicações práticas da inteligência artificial para criação de roteiros, atendimento, produção de conteúdo e produtividade.


É outro alerta para o trade maranhense.


Hoje, um pequeno receptivo em Barreirinhas, Carolina, Santo Amaro, Tutóia ou São Luís pode utilizar ferramentas tecnológicas que até pouco tempo estavam disponíveis apenas para grandes empresas.


A transformação digital deixou de ser luxo. Passou a interferir diretamente na competitividade.


Sustentabilidade saiu do discurso


A sustentabilidade também aparece de maneira transversal na ABAV.


A feira incorporou iniciativas de gestão de resíduos, redução e compensação de emissões e reflorestamento, enquanto sua programação avança da discussão tradicional de ESG para conceitos como turismo regenerativo.


Para o Maranhão, detentor de ecossistemas frágeis e de destinos de natureza com crescente fluxo turístico, o assunto é estratégico.


O crescimento precisa acontecer sem destruir justamente aquilo que leva o visitante até esses lugares.


O recado que fica


Percorrer a ABAV Expo 2026 é perceber que o turismo está mudando rapidamente.


O viajante mudou. A comercialização mudou. A tecnologia mudou. A maneira de escolher destinos mudou.


E talvez o principal recado para o Maranhão seja bastante simples: já temos a matéria-prima. O próximo salto precisa estar na transformação dessa riqueza em produtos turísticos estruturados, comercializáveis e capazes de aumentar permanência, gasto e distribuição de renda.


Isso passa pelo poder público, mas não apenas por ele.


Passa pelo empresário, pelo agente de viagens, pelo operador, pelas Instâncias de Governança Regionais, Sebrae, entidades do trade, comunidades, universidades e profissionais responsáveis pela promoção dos destinos.


Na ABAV, os destinos disputam atenção em meio a milhares de marcas.


Nesse ambiente, beleza é importante. Cultura é importante. Um grande estande ajuda.


Mas o mercado acaba fazendo uma pergunta muito objetiva:


o que você tem para vender?


Para o Maranhão, talvez essa seja a pergunta mais importante que a ABAV Expo 2026 deixa até aqui.

 
 
 

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