ABAV Expo termina; para o Maranhão, o desafio agora é transformar visibilidade em mais turistas
Depois de três dias acompanhando a maior feira de turismo da América Latina, Cazumbá aponta avanços e gargalos: conectividade aérea, custos, comercialização, permanência do visitante e diversificação dos destinos estão entre os desafios

SÃO PAULO - As luzes se apagaram, os estandes começaram a ser desmontados e a 53ª ABAV Expo entrou para a história. Mas, para os destinos que passaram três dias se apresentando ao mercado, é justamente agora que começa a etapa mais importante: transformar contatos, reuniões e promoção em negócios e turistas.
Realizada de 30 de setembro a 2 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo, a ABAV Expo 2026 encerrou com 35.205 participantes contabilizados até as 15h do último dia, mais de 2 mil marcas e 2.510 reuniões de negócios previamente agendadas, além dos inúmeros encontros realizados diretamente nos estandes.
A feira também recebeu compradores internacionais e reuniu agentes de viagens, operadoras, destinos, companhias aéreas, hotelaria, tecnologia e outros segmentos da cadeia turística.

O Cazumbá acompanhou os três dias da feira e, mais do que registrar a presença maranhense, procurou ouvir quem promove, quem recebe e, principalmente, quem vende o Maranhão.
E é a partir dessas conversas que surge uma pergunta necessária: depois da ABAV, qual é o próximo passo do turismo maranhense?
O Maranhão estava na vitrine
O Maranhão marcou presença com estande próprio do Governo do Estado, participação empresarial e profissionais do trade. São Luís também ocupou seu espaço na feira, apresentando a capital como destino turístico.

A secretária de Estado do Turismo, professora Socorro Araújo, resumiu durante a ABAV uma percepção importante: a presença de empresários maranhenses significa que o destino está sendo comercializado, fazendo networking e ocupando espaço no mercado.
Essa presença é necessária. Uma feira B2B como a ABAV não é apenas exposição institucional. É ambiente de negócios.
Os próprios números da edição ajudam a dimensionar isso: 91,3% dos expositores avaliaram como boa ou excelente a expectativa de negócios gerados a partir das reuniões realizadas, enquanto 82,5% consideraram adequado o perfil dos visitantes aos seus negócios.
Quem vende confirma a força do destino

Em reportagem publicada pelo Cazumbá, operadores que trabalham diretamente com o Maranhão confirmaram que existe demanda pelo destino.
As entrevistas mostraram empresas movimentando centenas de passageiros e, em alguns casos, operações que ultrapassam mil turistas destinados ao Maranhão.
O dado dialoga com outra informação relevante: segundo números divulgados pela Secretaria de Estado do Turismo, 1.480 operadores e agentes de viagens foram capacitados para conhecer e comercializar destinos maranhenses.
Isso não significa que todos estejam efetivamente vendendo o Maranhão. Mas revela uma rede expressiva de profissionais já alcançados pela promoção do estado.
O próximo passo deveria ser saber: quantos deles passaram a vender? Quantos passageiros geraram? Quais destinos comercializam?
Essa informação é fundamental para medir resultados e orientar investimentos.
Os Lençóis abriram uma enorme porta. É preciso atravessá-la
Poucos produtos turísticos brasileiros alcançaram nos últimos anos uma projeção comparável à dos Lençóis Maranhenses.
Essa força precisa continuar sendo aproveitada.
Mas o Maranhão não pode depender de um único produto.
São Luís possui patrimônio, cultura, gastronomia e história. A Chapada das Mesas reúne natureza e aventura. O Delta das Américas amplia a força da Rota das Emoções. Alcântara, Floresta dos Guarás e outros territórios possuem possibilidades de mercado.
O desafio não é reduzir o protagonismo dos Lençóis.
É justamente o contrário: usar a extraordinária visibilidade dos Lençóis para puxar outros destinos maranhenses.
O velho problema do aéreo
Entre as conversas mantidas durante a feira, um problema voltou a aparecer: o preço das passagens aéreas.
Para quem vende pacotes turísticos, não basta o destino ser bonito e desejado. O preço para chegar até ele interfere diretamente na decisão de compra.
Uma passagem cara encarece o pacote e pode colocar o Maranhão em desvantagem diante de destinos concorrentes.
Por isso, conectividade aérea não pode ser tratada apenas como quantidade de voos. É preciso discutir frequência, mercados emissores, novas ligações e competitividade tarifária.
Fazer o turista ficar mais
Outro desafio é transformar chegada em permanência.
Quanto mais o visitante permanece, maior tende a ser a circulação de recursos pela cadeia turística: hotelaria, alimentação, transporte, receptivos, guias, artesanato, comércio e experiências.
Isso exige integração.
O turista que chega pelos Lençóis precisa ser estimulado a conhecer São Luís. Quem visita a capital pode descobrir outros destinos. A Chapada das Mesas precisa ampliar sua presença nas prateleiras das operadoras.
O Maranhão precisa vender cada vez menos destinos isolados e cada vez mais experiências complementares dentro do mesmo estado.
Da promoção à conversão
Talvez este seja o maior desafio deixado pela ABAV.
Participar de uma grande feira é fundamental. Ter estande, promover experiências, realizar reuniões e capacitar profissionais também.
Mas o resultado verdadeiro vem depois.
Quantos contatos feitos em São Paulo virarão negócios? Quantas operadoras incluirão ou ampliarão produtos maranhenses? Quantos agentes passarão a recomendar o destino? Quantos turistas chegarão ao Maranhão a partir dessas ações?
O turismo moderno exige promoção, mas exige também inteligência de mercado e mensuração de resultados.
Uma feira que mostrou para onde o turismo caminha
A ABAV também mostrou que o setor está mudando.
As 50 atividades do ABAV Talks, com 120 palestrantes, colocaram em discussão inteligência artificial, sustentabilidade, turismo regenerativo, diversidade e inclusão, afroturismo, turismo de base comunitária, comportamento do viajante e novos modelos de negócios. A área dedicada à tecnologia reuniu 29 empresas.
São sinais importantes para o Maranhão.
Segmentos como turismo de natureza, experiências culturais, acessibilidade e o crescente mercado de viajantes 60+ abrem possibilidades que precisam ser observadas e transformadas em produtos.
A ABAV acabou. O trabalho começa agora
O saldo para o Maranhão é positivo.
O estado esteve presente, apresentou seus produtos, colocou empresários em contato com o mercado e confirmou, pelas próprias operadoras, que existe demanda.
Mas visibilidade, sozinha, não basta.
O desafio é converter essa presença em mais turistas, maior permanência, mais gasto no destino e melhor distribuição dos benefícios do turismo pelo território maranhense.
Depois de três dias caminhando pelos corredores da ABAV Expo, conversando com gestores, empresários, operadores e profissionais que fazem o turismo acontecer, uma conclusão fica para o Cazumbá:
O Maranhão já desperta desejo e conquistou espaço na prateleira do turismo brasileiro. Agora precisa transformar cada vez mais esse desejo em passagem comprada, pacote vendido, maior permanência e dinheiro circulando na economia do estado.
A feira terminou.
Para o turismo do Maranhão, o trabalho está apenas começando.








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