Comunidade de Queimada dos Britos cobra melhoria na assistência à saúde nos Lençóis Maranhenses
- reginaldorodrigues3
- há 3 dias
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Relato de morador após atendimento de emergência reacende debate sobre serviços públicos em comunidades tradicionais do Parque Nacional

Um vídeo gravado por um morador da comunidade de Queimada dos Britos, localizada no interior do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, trouxe novamente à tona uma discussão antiga entre os moradores da região: a necessidade de ampliar a assistência à saúde em comunidades isoladas que convivem diariamente com as dificuldades de acesso aos serviços públicos.
Na gravação, o morador conhecido como "Príncipe do Deserto" relata que um sobrinho precisou ser retirado da comunidade após apresentar sintomas que a família associou inicialmente à picada de uma aranha venenosa. Segundo ele, o episódio evidenciou a necessidade de implantação de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou de um posto de atendimento permanente em Queimada dos Britos.
O morador argumenta que o crescimento da população residente e o aumento da atividade turística nos Lençóis Maranhenses exigem uma estrutura capaz de oferecer primeiros socorros e assistência rápida em situações de emergência.
A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde de Santo Amaro do Maranhão para esclarecer como funciona atualmente o atendimento à comunidade.
Segundo a secretária municipal de Saúde, Dra. Izabel Cutrim, Queimada dos Britos é atendida pela Estratégia Saúde da Família vinculada à Unidade Básica de Saúde do Buritizal. O acompanhamento é realizado por equipe itinerante que atua na área de cobertura da comunidade.
A gestora informou ainda que não há previsão para implantação de uma UBS permanente na localidade.
Em relação aos atendimentos de urgência e emergência, a Secretaria esclareceu que o município dispõe de uma ambulância 4x4 para resgate de pacientes em áreas de difícil acesso, além do suporte oferecido pelo Hospital Municipal de Santo Amaro, que mantém atendimento médico e equipe assistencial 24 horas por dia.

Sobre o caso citado no vídeo, a secretária informou que a equipe de saúde responsável pela área acompanhou a situação. Segundo as informações levantadas junto ao enfermeiro da região e à agente comunitária de saúde da comunidade, o paciente foi encaminhado ao hospital, recebeu atendimento e passa bem.
Ainda de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, não houve confirmação de picada de aranha. O paciente teria relatado possuir histórico de alergia a picadas de insetos, especialmente mutucas.
A reportagem também ouviu o gestor do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, Cláudio Pereira. Segundo ele, o ICMBio reconhece a importância de garantir assistência de qualidade às comunidades tradicionais que vivem no interior da unidade de conservação.
"É direito de cada cidadão ter assistência à saúde de qualidade", afirmou.
O gestor explicou, porém, que a eventual implantação de uma estrutura física permanente, como uma UBS, depende inicialmente de avaliação e interesse do município, cabendo posteriormente aos órgãos competentes analisarem a viabilidade técnica e ambiental da proposta.
Cláudio Pereira ressaltou que a discussão não se resume à construção de um prédio.
"É preciso avaliar se existe demanda suficiente, disponibilidade de profissionais e capacidade do município para manter uma estrutura permanente em uma área isolada", observou.
Ele lembrou ainda que o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é uma unidade de conservação de proteção integral, onde qualquer intervenção deve seguir critérios específicos de análise e licenciamento.
Questionada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Comunicação do Maranhão informou, por meio de seus canais de atendimento à imprensa, que a questão está relacionada às atribuições do município e às regras de gestão da unidade de conservação, remetendo a discussão à Prefeitura de Santo Amaro e ao ICMBio.
Embora as respostas dos órgãos públicos apontem que já existe atendimento à comunidade por meio de equipes itinerantes e mecanismos de remoção para emergências, o episódio trouxe à tona uma preocupação recorrente dos moradores das áreas mais remotas dos Lençóis Maranhenses: o tempo necessário para acessar serviços de saúde em situações que exigem atendimento rápido.
A discussão ganha ainda mais relevância em um momento de forte crescimento do turismo na região. Com o aumento do número de visitantes e a projeção internacional dos Lençóis Maranhenses, moradores defendem que o fortalecimento dos serviços públicos acompanhe essa nova realidade.
Mais do que um debate sobre a construção de uma UBS, o caso de Queimada dos Britos evidencia um desafio que se impõe para os próximos anos: encontrar soluções capazes de garantir atendimento adequado às comunidades tradicionais sem desconsiderar as particularidades ambientais de uma das mais importantes áreas protegidas do Brasil.
Entre a ampliação das estruturas existentes, o fortalecimento da saúde itinerante ou a criação de novos modelos de atendimento para áreas remotas, uma certeza permanece: os moradores dos Lençóis Maranhenses querem continuar vivendo no território que ajudaram a preservar, mas com acesso cada vez mais digno aos serviços básicos garantidos a todo cidadão brasileiro.
Imagens copiadas das Redes Sociais/Divulgação








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