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De “santinhos” a “diabinhos”: a sujeira eleitoral que fica pelas ruas

Foto do escritor: reginaldorodrigues3
reginaldorodrigues3
há 1 dia
2 min de leitura

Em plena era digital, candidatos ainda apostam no velho derrame de propaganda impressa, deixando ruas e avenidas cobertas de papel depois da votação



Passou a eleição. Os votos foram depositados nas urnas, vencedores comemoram, derrotados contabilizam seus resultados e a vida segue. Mas, nas ruas, ficou uma lembrança nada agradável da campanha: toneladas de “santinhos” espalhados pelo chão.


Ou melhor: diante da sujeira que produzem, talvez seja mais apropriado chamá-los de “diabinhos”.


Por onde se andou no domingo de eleição e ainda nesta segunda-feira, a cena se repetiu: ruas, calçadas e avenidas cobertas por material de propaganda eleitoral. Papéis com nomes, números e fotografias de candidatos transformaram espaços públicos em verdadeiros depósitos de lixo eleitoral.


É uma agressão visual e ambiental e, acima de tudo, uma demonstração de falta de respeito com a cidade e com quem nela vive.


E cabe uma pergunta: em pleno século XXI, para que ainda serve essa prática?



Vivemos conectados. O eleitor recebe informações pelo celular, acompanha candidatos nas redes sociais, assiste a vídeos, participa de grupos de WhatsApp, consulta propostas e tem à disposição inúmeras ferramentas digitais. Mesmo assim, a cada eleição, toneladas de material impresso continuam sendo produzidas para uma propaganda cuja eficácia, especialmente quando espalhada indiscriminadamente pelas ruas, é bastante questionável.


Eu, particularmente, nunca ouvi alguém dizer: “Votei naquele candidato porque encontrei o santinho dele jogado no chão a caminho da seção eleitoral”.


Se existe alguém que decidiu seu voto dessa maneira, seria interessante conhecer.


O problema vai além da estética. Papel espalhado pelas ruas significa mais trabalho para os profissionais da limpeza urbana, desperdício de recursos e material, além do risco de esse lixo chegar às sarjetas, bueiros e sistemas de drenagem.


Também existe uma contradição difícil de ignorar. Durante a campanha, candidatos falam de sustentabilidade, meio ambiente, cidades inteligentes, qualidade de vida e respeito ao cidadão. No dia da eleição, porém, ainda vemos cidades amanhecendo cobertas pelos rostos e números daqueles que prometem justamente cuidar delas.


Que mensagem fica?



Talvez esteja na hora de candidatos e partidos compreenderem que cidade limpa também é demonstração de cidadania. Quem pretende representar a população deveria começar respeitando o espaço público.


E o eleitor também mudou. Não estamos mais numa época em que um pedaço de papel entregue na porta da seção eleitoral era uma das poucas maneiras de lembrar o número de um candidato. O celular está na mão. A informação está disponível em segundos.


É preciso discutir seriamente se ainda faz sentido gastar dinheiro, papel, tinta e energia para produzir material que, poucas horas depois, acaba debaixo dos pés da população ou sendo recolhido por trabalhadores da limpeza pública.


O “santinho” eleitoral pode até carregar uma fotografia sorridente e uma promessa de futuro melhor.


Mas, quando termina espalhado pelo chão, sujando ruas e avenidas, deixa de ser santinho.


Vira diabinho.


E pior: a sujeira que fica depois da eleição talvez diga sobre determinados modos de fazer política muito mais do que qualquer slogan impresso naquele pedaço de papel.

 
 
 

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