Embratur projeta ampliar voos da TAP para São Luís em 2027 e defende maior permanência de turistas no Maranhão
Em entrevista exclusiva ao Cazumbá, presidente Bruno Reis destaca estratégias para consolidar a ligação com a Europa, fortalecer a Rota das Emoções e transformar o crescimento do turismo internacional em resultados econômicos para o estado

A chegada dos voos da TAP Air Portugal a São Luís representa mais do que uma nova ligação aérea internacional. Para a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), a operação abre uma oportunidade para ampliar a presença do Maranhão no mercado europeu, atrair novos visitantes e fortalecer a economia do turismo no estado.
Em entrevista exclusiva ao Cazumbá, concedida por ocasião da inauguração do Vila Galé Collection Ópera São Luís, realizada em 27 de outubro, o presidente da Embratur, Bruno Reis, apresentou as perspectivas para o turismo internacional brasileiro e detalhou as estratégias de promoção do Maranhão no exterior.
Entre os principais anúncios está a previsão de ampliação da operação da TAP, atualmente com duas frequências semanais, para três voos por semana a partir de março de 2027.
Segundo Bruno Reis, a nova conexão representa uma mudança importante na acessibilidade internacional do Maranhão. Antes da operação, 97,78% dos passageiros internacionais que chegavam ao estado por via aérea precisavam realizar uma ou duas conexões em outros aeroportos brasileiros.
A ligação com Lisboa permite conectar São Luís a mais de 50 destinos na Europa e na África, utilizando aeronaves com capacidade para 171 passageiros.
Para estimular a comercialização do Maranhão, a Embratur já articulou, em parceria com a TAP, viagens de familiarização com operadores turísticos e jornalistas portugueses.
São Luís precisa deixar de ser apenas uma cidade de passagem
Um dos pontos centrais da entrevista foi a necessidade de ampliar a permanência dos visitantes na capital maranhense, frequentemente utilizada como porta de entrada para os Lençóis Maranhenses.
Bruno Reis reconheceu a importância de estruturar experiências que valorizem o patrimônio histórico, a gastronomia e as manifestações culturais de São Luís, integrando essas atrações aos roteiros vendidos internacionalmente.
Para o presidente, a promoção internacional precisa estar acompanhada da organização de produtos turísticos capazes de estimular o visitante a permanecer mais tempo na cidade.
Nesse contexto, destacou a inauguração do Vila Galé Collection Ópera São Luís, empreendimento que recebeu investimento de R$ 100 milhões na recuperação de edifícios históricos.
O hotel, segundo ele, contribui para qualificar a oferta turística e fortalecer a imagem de São Luís como destino de experiências, e não apenas como ponto de passagem para outros atrativos maranhenses.
Maranhão precisa avançar na qualificação e comercialização
Questionado sobre o posicionamento internacional do Maranhão, Bruno Reis apontou a necessidade de integrar os principais destinos do estado em produtos turísticos competitivos.
São Luís, Lençóis Maranhenses, Chapada das Mesas e Delta das Américas foram citados como destinos que podem compor roteiros capazes de diversificar as experiências, ampliar a permanência e aumentar os gastos dos visitantes.
Entretanto, o presidente ressaltou que a conectividade aérea, isoladamente, não garante resultados.
É necessário avançar na estruturação dos produtos turísticos, na qualificação dos serviços e na continuidade das ações de promoção internacional.
Dados apresentados pela Embratur indicam que os aeroportos maranhenses movimentaram 2,01 milhões de passageiros em 2025, crescimento de 13,67% em relação ao ano anterior. A Agência também informou uma taxa média de ocupação hoteleira de 85,62% em São Luís.
Rota das Emoções ganha espaço na promoção internacional
A integração turística entre Maranhão, Piauí e Ceará também esteve entre os assuntos abordados.
Segundo Bruno Reis, a Embratur desenvolve ações para fortalecer a comercialização internacional da Rota das Emoções, envolvendo operadores, agentes de viagens, jornalistas e consumidores estrangeiros.
O trabalho inclui participação em feiras internacionais, rodadas de negócios, capacitações, viagens de familiarização e campanhas promocionais.
A estratégia busca apresentar a Rota das Emoções como um roteiro integrado, capaz de reunir experiências de natureza, cultura e aventura nos três estados.
Brasil quer turistas que permaneçam mais tempo e gastem mais
No cenário nacional, Bruno Reis destacou que a expansão da malha aérea internacional sustenta a perspectiva de o Brasil alcançar 10 milhões de visitantes estrangeiros em 2026.
A previsão é de aproximadamente 18,84 milhões de assentos internacionais ao longo do ano, crescimento de 45% em comparação com 2023.
De janeiro a setembro de 2026, segundo os dados apresentados pelo presidente, o Brasil recebeu 7 milhões de visitantes estrangeiros e registrou US$ 8,3 bilhões em receitas cambiais.
Para 2027, entretanto, a estratégia da Embratur não estará concentrada exclusivamente no aumento do número de chegadas.
A prioridade será ampliar o gasto médio, estimular viagens mais longas e distribuir os benefícios econômicos do turismo por diferentes regiões brasileiras.
Segmentos como turismo de natureza, bem-estar, luxo, negócios e observação de vida selvagem estarão entre as prioridades promocionais.
O desafio de manter a ligação com a Europa
Ao responder se o Maranhão está preparado para receber um fluxo maior de turistas europeus, Bruno Reis destacou os indicadores positivos de movimentação aeroportuária e ocupação hoteleira.
Sobre a sustentabilidade comercial da nova rota, explicou que a Embratur pretende manter ações de promoção nos mercados emissores europeus, direcionadas aos perfis de visitantes interessados nas experiências oferecidas pelo estado.
A estratégia busca não apenas aumentar a chegada de passageiros, mas estimular o consumo de serviços turísticos e fortalecer os negócios locais.
Para 2027, o presidente também apontou oportunidades de participação do Maranhão em feiras internacionais, viagens de familiarização e capacitações de operadores estrangeiros, por meio das ferramentas disponibilizadas pela Agência.
A participação nessas iniciativas dependerá, entre outros fatores, da mobilização do setor turístico maranhense, da adesão aos editais e da continuidade das ações promocionais do próprio estado.
Mais do que celebrar a chegada de uma nova rota internacional, o Maranhão enfrenta agora o desafio de transformar conectividade em permanência, comercialização e desenvolvimento econômico.
A entrevista com o presidente da Embratur evidencia que a consolidação desse novo momento dependerá de uma atuação integrada entre poder público, iniciativa privada e profissionais do turismo.








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