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Entre ofícios, respostas e buracos: BR-135 e BR-402 seguem acumulando denúncias e prejuízos no Maranhão

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  • há 1 hora
  • 4 min de leitura

Motoristas relatam ausência de equipes nas estradas, aumento dos danos aos veículos e cobram respostas diante da proximidade da alta temporada turística e dos festejos juninos



As rodovias federais BR-135 e BR-402, principais corredores terrestres de acesso aos Lençóis Maranhenses e ao Polo Turístico Lençóis & Delta, voltaram ao centro das preocupações de moradores, empresários, profissionais do turismo e usuários das estradas. Apesar de manifestações oficiais indicando ações de manutenção em andamento, novos relatos recebidos pelo Cazumbá Comunicações apontam para um cenário que, segundo quem trafega diariamente pelas vias, continua se agravando.


A preocupação não é recente. Ainda no último dia 06 de maio, diante do aumento das reclamações e das constantes denúncias sobre a situação das estradas, o Cazumbá Comunicações entrou em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), por meio das redes sociais, buscando esclarecimentos e informações sobre providências emergenciais para recuperação dos trechos mais críticos.


Com o aumento das reclamações e a preocupação crescente de moradores e representantes do setor turístico, a situação passou a ganhar mobilização institucional.


Atendendo a uma solicitação do trade turístico maranhense, especialmente de representantes ligados à região dos Lençóis Maranhenses, o deputado estadual Catulé Júnior encaminhou ao DNIT o Ofício nº 024/2026-GABCJR/ALEMA, solicitando providências urgentes para recuperação da BR-402.


No documento, o parlamentar relata ter recebido inúmeras reclamações de moradores, empresários, trabalhadores do setor turístico e visitantes da região. O texto descreve a grande quantidade de buracos, a deterioração da rodovia, ausência de manutenção adequada e os riscos à segurança dos usuários.


Além dos problemas de mobilidade, o documento também chama atenção para impactos econômicos e turísticos provocados pelas condições da estrada.


"A situação tem causado transtornos à população local, prejuízos econômicos e dificuldades no deslocamento de turistas que visitam um dos destinos mais importantes do Maranhão e do Brasil", registra trecho do documento encaminhado ao DNIT.


A mobilização também envolveu representantes da governança turística regional. Em documento conjunto, a IGR Lençóis & Delta, IGR Munim e a Agência de Desenvolvimento Territorial Munim, Lençóis e Delta encaminharam solicitação formal ao DNIT cobrando ações emergenciais na BR-135 e BR-402.


Entre os pontos destacados estavam trechos considerados críticos, registros de acidentes, riscos de colisões, danos frequentes em veículos, prejuízos operacionais ao turismo e impactos negativos à imagem do principal destino turístico do Maranhão.


Na resposta enviada ao deputado estadual por meio do Ofício nº 154521/2026/SRE-MA, o DNIT informou que a demanda havia sido encaminhada à área técnica competente e declarou que equipes estariam realizando serviços de manutenção, especialmente nos trechos considerados mais críticos da BR-402.



O órgão também informou que encaminhou solicitação à empresa responsável pelo trecho, visando a continuidade das ações de recuperação e manutenção da rodovia.


Entretanto, relatos mais recentes recebidos pelo Cazumbá Comunicações levantam questionamentos sobre a efetividade das medidas informadas oficialmente.


Motoristas que passaram pela BR-402 entre domingo (24) e esta segunda-feira (25) afirmam não ter encontrado equipes trabalhando em diversos pontos da rodovia.


Segundo relatos enviados à reportagem, a percepção é que a situação continua piorando.


"Ontem não tinha nenhuma equipe trabalhando. Os buracos continuam aumentando não só em tamanho, como em quantidade. Vi vários carros no acostamento com pneus rasgados", relatou um motorista.


As reclamações não se limitam à BR-402.


Usuários também denunciam situação crítica na BR-135, principal via terrestre de entrada e saída de São Luís. Segundo motoristas, o trecho entre São Luís e Bacabeira, tanto na ida quanto no retorno à capital, apresenta condições preocupantes.


Os relatos incluem pneus estourados, suspensão danificada e prejuízos financeiros consideráveis.


"Eu mesmo fui vítima tanto na BR-135 quanto na BR-402. Tive pneus estourados, suspensão quebrada e prejuízo de quase dois mil reais", relatou um usuário.


Outro caso recebido pela reportagem relata que uma motorista teria cortado dois pneus em uma única viagem durante a noite.


Há ainda relatos de uma loja de pneus em São Luís onde consumidores afirmaram que pelo menos três pessoas procuraram atendimento após sofrerem danos provocados pelo mesmo buraco, localizado próximo à chegada da capital.


Em meio a tantos relatos, prejuízos e pedidos de providências, uma pergunta passou a ser repetida entre moradores, motoristas e representantes do setor turístico: onde está a bancada federal maranhense diante da situação das BRs que cortam o estado?


O Maranhão possui uma representação formada por 18 deputados federais e três senadores, responsáveis também por acompanhar pautas estruturantes e defender investimentos em áreas estratégicas, incluindo infraestrutura.


A deterioração das rodovias federais não afeta apenas moradores das regiões cortadas pelas estradas. O problema interfere diretamente na mobilidade, aumenta custos, impacta a economia, compromete o turismo e coloca vidas em risco.


A preocupação se torna ainda maior diante da proximidade das festividades juninas e da alta temporada turística, período em que milhares de pessoas passam a circular pelas rodovias maranhenses.


Enquanto ofícios são protocolados, respostas oficiais são emitidas e promessas de manutenção são apresentadas, quem enfrenta diariamente a BR-135 e a BR-402 continua convivendo com medo, prejuízos e incertezas.


Entre pneus rasgados, acidentes, suspensões danificadas e buracos que parecem se multiplicar, cresce a sensação de que as estradas maranhenses aguardam algo maior do que operações emergenciais: aguardam soluções concretas.


No fim das contas, a pergunta que permanece ecoando entre moradores, empresários, motoristas e representantes do turismo talvez seja a mais simples — e ao mesmo tempo a mais difícil de responder: até quando a população maranhense continuará desviando de buracos enquanto espera que alguém assuma, de fato, a responsabilidade de resolver o problema?



 
 
 

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