Estreito dos Mosquitos: quem vai pagar a conta do prejuízo?
DNIT anuncia interdição parcial da ponte na BR-135 em dois fins de semana e reacende preocupação sobre os impactos econômicos, sociais e turísticos provocados pela fragilidade do principal acesso terrestre à Ilha de São Luís

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) publicou, na tarde da última terça-feira, 18 de agosto, às 16h20, um alerta informando que a Ponte do Estreito dos Mosquitos, na BR-135/MA, terá interdição parcial, com operação no sistema Pare e Siga, durante dois fins de semana consecutivos. A medida será necessária, segundo o órgão, para a execução dos serviços de instalação de novas juntas de dilatação.
De acordo com o comunicado oficial, a intervenção ocorrerá nos dias 22 e 23 de agosto e 29 e 30 de agosto. Aos sábados, dias 22 e 29, o sistema funcionará das 7h às 21h. Aos domingos, dias 23 e 30, das 7h às 12h. Durante esses períodos, o tráfego será alternado nos dois sentidos da rodovia. O próprio DNIT reconhece que a operação poderá provocar retenções e aumento no tempo de deslocamento.
E é justamente aí que começa uma discussão que não pode ficar restrita a um simples aviso de trânsito.

Quem vai pagar essa conta?
É triste ver São Luís chegar a uma situação como essa.
Estamos falando da BR-135, principal corredor rodoviário de entrada e saída da Ilha de São Luís. Uma via utilizada diariamente por milhares de pessoas e fundamental para o abastecimento da capital, para o deslocamento de trabalhadores, para o transporte de cargas, para os ônibus intermunicipais e interestaduais e também para toda a cadeia turística.
Diante da possibilidade de longas retenções, uma pergunta precisa ser feita: quem vai pagar a conta dos prejuízos?
Quem ressarcirá o caminhoneiro que ficar horas parado transportando uma carga perecível ou com horário determinado para entrega? Quem responderá pelo combustível consumido durante uma longa espera?
Quem pagará pelo compromisso perdido de quem precisa entrar ou sair da Ilha de São Luís?
E existe uma questão ainda mais delicada para um estado que trabalha para consolidar o turismo como atividade econômica estratégica: quem responderá pelo turista que perder um voo porque ficou preso na BR-135?
Imagine uma família que passou alguns dias conhecendo os Lençóis Maranhenses. Comprou antecipadamente as passagens aéreas, reservou hotéis, contratou passeios e organizou toda a viagem. Depois de viver uma experiência extraordinária em um dos destinos mais desejados do Brasil, retorna a São Luís para embarcar de volta para casa.
No caminho para o Aeroporto Internacional de São Luís, encontra uma retenção de grandes proporções no Estreito dos Mosquitos.
Perde o voo.

Quem paga a nova passagem? Quem paga uma diária adicional de hotel? Quem paga alimentação, transporte e todos os demais custos provocados pelo atraso?
Provavelmente, o próprio turista.
E o prejuízo não termina no bolso dele.
O Maranhão também perde
Existe um dano que não aparece imediatamente nas contas: o prejuízo à imagem do destino Maranhão.
Esse visitante pode ter se encantado com os Lençóis Maranhenses, com São Luís, com a gastronomia, com a cultura e com a hospitalidade maranhense. Mas a última lembrança de sua viagem poderá ser a angústia de ficar parado durante horas sem saber se conseguirá chegar ao aeroporto.
Turismo também é infraestrutura.
Não adianta investir milhões na promoção dos destinos, participar de feiras nacionais e internacionais, realizar campanhas publicitárias e estimular brasileiros e estrangeiros a conhecerem o Maranhão se não conseguimos oferecer segurança e previsibilidade no principal acesso terrestre à nossa capital.
E talvez esse seja o ponto mais grave de toda essa história: não estamos diante de um problema que surgiu ontem.
As fragilidades do acesso rodoviário à Ilha de São Luís e os problemas no Estreito dos Mosquitos são conhecidos há muito tempo. Alertas foram feitos, preocupações foram manifestadas e a necessidade de intervenções naquela estrutura não é novidade.
Por isso, a situação não pode ser encarada apenas como um transtorno temporário causado por uma obra.
É preciso reconhecer que a manutenção é necessária. Se existem serviços indispensáveis à segurança da ponte, evidentemente eles precisam ser executados.
Mas a questão central é outra:
Como uma capital insular pode continuar tão dependente de um corredor rodoviário vulnerável, sem uma alternativa capaz de absorver o fluxo quando ocorre uma intervenção dessa magnitude?
São Luís concentra serviços de saúde, órgãos públicos, comércio, indústria, porto, aeroporto, universidades e grande parte da atividade econômica do Maranhão. Além disso, é porta de entrada e distribuição de importantes fluxos turísticos para diferentes regiões do estado.
Não é razoável que uma intervenção em uma ponte tenha potencial para comprometer toda essa dinâmica.
O Pare e Siga anunciado pelo DNIT pode ser necessário neste momento.
O que não deveria ser normal é a inexistência de alternativas.
Quando caminhoneiros, trabalhadores, empresários, transportadores e turistas começarem a contabilizar eventuais prejuízos, fica a pergunta que talvez ninguém queira responder:
Quem vai pagar essa conta?
A população?
Os empresários?
Os caminhoneiros?
Os turistas?
Porque alguém certamente pagará.
O Estreito dos Mosquitos deixou há muito tempo de representar apenas um problema de trânsito. É uma questão de infraestrutura, economia, abastecimento, mobilidade, turismo e segurança estratégica para São Luís e para todo o Maranhão.
E aquilo que durante anos foi apontado como um risco agora volta a cobrar seu preço.








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