História do domingo: Amor de Carnaval sobe serra?
- reginaldorodrigues3
- 13 de abr. de 2025
- 5 min de leitura
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“Tudo que acontece uma vez, pode nunca mais acontecer. mas tudo que acontece duas vezes, acontecerá certamente uma terceira.”
Canção do Dia de Sempre


O poema é de Mario Quintana, grande escritor brasileiro que ficou conhecido como “poeta das coisas simples”.
• No texto, fica evidente a sua visão de mundo: uma filosofia poética de leveza, desapego e constante renovação.
Ao dizer que “tão bom é viver dia a dia”, ele mostra a importância de viver no presente, de forma simples e real. Viver o agora, sem sofrer pelo passado ou ansiar pelo futuro.
“A vida assim, jamais cansa”, pois essa atitude traz leveza à existência, tornando-a menos cansativa e mais suportável.
Longe dos “grandes momentos”, a felicidade mora nos segundos que passam sem alarde, no café ainda quente, no riso que escapa sem motivo e no abraço que demora um pouco mais.
Seguindo na terceira estrofe, o poeta mostra que o ganho da vida está em permanecer inexperiente, lembrando que a esperança é a companheira da falta de certeza.
• Aceitar a nossa inexperiência é ter coragem de se aventurar. É se abrir pro novo sabendo que a vida é cíclica.
Parafraseando o filósofo grego Heráclito, “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou…”
Por esse motivo, Mario Quintana diz que dar nome a um rio — ou a qualquer coisa mutável — é ilusão: tudo muda, tudo se transforma.
Mas, como “nada jamais continua, tudo vai recomeçar”, o poema traz uma visão otimista: se tudo recomeça, temos infinitas chances. Para quem está passando por um momento difícil, é bom lembrar que a vida é constante reinício.
Amor de Carnaval sobe serra?
(Baseado em uma história real)

Mariana sempre quis escrever uma história de amor para ser publicada no the stories, mas nunca achou que viveria uma à altura… Até que chegou o Carnaval de 2025.
Estava andando pelas ruas do Rio de Janeiro, bêbada, entre um bloco e outro, quando viu dois meninos — lindos, diga-se de passagem — conversando na mesa de um bar.
Um deles, vestido com uma jaqueta com o zíper até o pescoço, loiro e de olhos azuis, chamou a sua atenção. Talvez, tenha sido a jaqueta, talvez pelo jeito de olhar, ou talvez só porque tinha que ser ele.
Ela estava com um grupo enorme de amigos, mas puxou um deles, fantasiado de Freddie Mercury e pintado de prata da cabeça aos pés, para conversar com os desconhecidos.
Ambos moravam em Amsterdam, na Holanda, e falavam Dutch. E adivinha? Nem ela, nem seu amigo, falavam Dutch, mas todo mundo sabia inglês, então deu para conversar.
• O holandês de jaqueta se chamava Sam, mas ele tinha perdido o celular. Não tinha como trocar contato.
Então, Mariana disse que estava cansada e parou em uma hamburgueria no quarteirão da frente para comer — seu amigo Freddie Mercury continuou curtindo a noitada.
Já na madrugada, Mariana acordou com a seguinte mensagem: "O Sam quer um date com você." Sem entender nada, o seu amigo lhe contou que, enquanto ela ia para a hamburgueria, o holandês saiu do bar para procurá-la.
Por obra do acaso, ele achou o Freddie Mercury perdido na rua e perguntou por ela. Ele disse que ela tinha ido embora, e os dois passaram o resto da noite falando sobre a Holanda, futebol e Mariana.
Ela não topou sair com ele no mesmo dia, mas os dois trocaram mensagens pelo celular do amigo do Sam — e combinaram um almoço no dia seguinte.
• Nem toda quarta-feira pós-Carnaval é cinza, e a da Mariana foi bastante colorida.
Ela e o Sam foram para um restaurante beira-mar cheio de luzinhas, e falaram da vida inteira. Parecia que se conheciam há séculos. Ela diz que o encontro dos dois foi de almas.
Sam tem 23 anos. Mariana tem 26. Ele faz faculdade de comunicação. Ela se formou como Pedagoga e trabalha como Designer. Ele é muito curioso. Ela gosta muito de falar.
O date foi regado a compras de havaianas, águas de coco e passeios pela orla do Rio de Janeiro. Sam subindo na moto táxi (não tem moto na Holanda!) e falando: "Ciao Mariana! Ciao Mariana!"
• Seu ônibus de volta para São Paulo era no fim da tarde, e ele iria ficar no Rio de Janeiro por mais alguns dias.
Mas, também por obra do acaso — ou do destino —, antes de voltar para a Holanda, Sam iria para São Paulo ficar alguns dias hospedado em um Airbnb, justamente no mesmo bairro que a Mariana estava.
"Chegando em São Paulo, eu vou te encontrar." Pela primeira vez, ela estava tranquila, porque sabia que eles realmente iriam se encontrar. Existe uma magia no amor que faz a gente ter certeza quando é para ser, né?
Chegando na selva de pedra, eles foram para um bar com os amigos dela — e parecia que o Sam já era da galera. Fez amizade com todas as pessoas, comeu pizza doce e puxou a Mariana para dançar.
• Ela é dessas que acredita muito nos sinais que a vida dá, e, quando foi ao banheiro, viu uma placa escrito “confia no amor”. Resolveu confiar.
Durante a noite, Sam tirou da shoulder um livro em que estava anotando todas as coisas: número de celular do pai, da mãe e da Mariana, além das distâncias entre rodoviária, aeroporto e a casa dela.
Contudo, acontece que esse livro aleatório era "O Alquimista", do Paulo Coelho. Coincidência ou não, é o preferido da Mariana.
Quando o bar fechou, eles foram para o Airbnb do Sam, e, no caminho, ele mostrou para ela uma lista do porquê havia se apaixonado: “sua genuína capacidade de ouvi-lo, sua paciência, sua bondade e vontade de estar com ele.”
Tiveram uma noite incrível, abandonando a nostalgia e vivendo só no presente. Uma noite para lembrar que a felicidade é só agora, e que “viver dia a dia, a vida assim, jamais cansa.”
• Só que, na segunda-feira, Sam iria voltar para a Holanda e Mariana continuaria no Brasil.
Todo Carnaval tem seu fim, mas ela não quer que esse acabe. Os dois seguem conversando, se ligando e fazendo planos. Ela nunca saiu do Brasil, mas já agendou para tirar o seu passaporte — e espera encontrar o Sam em breve.
No primeiro encontro, ele cantou para ela uma música brasileira que só ele conhece: Você me Apareceu, da banda Kaleidoscópio. De fato, Sam apareceu e “fez o tudo virar nada, e vice-versa, fui submersa”.
Assim como diz uma passagem do Alquimista: "tudo que acontece uma vez, pode nunca mais acontecer. Mas tudo que acontece duas vezes, acontecerá certamente uma terceira."
Nesse momento, ele está na Holanda, e ela está aguardando ansiosa o próximo encontro. Espera que seja em breve, aqui no Brasil de novo ou em Amsterdam.
Texto e imagens: The stories/Reprodução












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