História do domingo: O dia em que desvendei o maior mistério do Natal
- reginaldorodrigues3
- 21 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
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Expresso Polar

O filme O Expresso Polar conta a história de um menino que está perdendo a fé no Papai Noel na véspera de Natal, quando um trem mágico surge em frente à sua casa e o convida para uma jornada até o Polo Norte.
Cada vagão parece testar a fé, a imaginação e a coragem dele. É como se o trem representasse a transição para a vida adulta. Ou aquele instante específico em que a gente percebe que o mundo não é tão mágico quanto prometeram.
• O protagonista não tem nome — e isso não é à toa. Ele funciona como um espelho: poderia ser qualquer criança (ou adulto) nesse momento de dúvida.
O Natal aqui aparece como um dos últimos espaços onde esse olhar mágico ainda é permitido. Ele não é apenas uma data, mas um ritual: de pausa, de encontro e de lembrar que a vida também é feita de gestos gratuitos.
A ceia, os presentes, o sino… Tudo isso funciona como linguagem de afeto. Não importa se é “real” no sentido literal; importa o que isso cria entre as pessoas.

Porque amar, no fundo, exige o mesmo tipo de fé: amar é acreditar sem provas, é sustentar o vínculo mesmo quando o encanto vacila.
O filme sugere que quem abandona completamente o olhar de criança também abandona essa capacidade de se entregar — fica protegido, mas sozinho. O ceticismo pode parecer inteligência, mas cobra um preço alto.
• Permanecer com esse olhar infantil é escolher não se fechar. É continuar ouvindo o sino, mesmo que mais baixo, mesmo que às vezes pareça ridículo.
É aceitar que nem tudo precisa ser explicado para ter valor. Que rituais importam. Que histórias sustentam. Que o amor, como o Natal, só existe de verdade quando alguém decide acreditar e cuidar.
Finalizando com as palavras de Charles Dickens: “Feliz, feliz Natal, que nos traz de volta as ilusões da infância, recorda ao idoso os prazeres da juventude e transporta o viajante de volta à própria lareira e à tranquilidade do seu lar.”
O dia em que desvendei o maior mistério do Natal
(Baseado em uma história real)

O Natal sempre foi a melhor época do ano para Nina. Era quando a vida parecia, finalmente, colaborar.
As férias escolares chegavam, a casa ficava cheia de primos espalhados pelo chão da sala, os presentes surgiam misteriosamente debaixo da árvore e as preocupações sumiam — não que ela tivesse muitas aos seis anos de idade.
Nina gostava de tudo isso com a intensidade típica de uma criança. O cheiro da comida vindo da cozinha, os adultos conversando alto e as mesas improvisadas para caber todo mundo.
Mas, além de adorar, ela observava; observava demais. Enquanto os outros se perdiam na bagunça e na expectativa, Nina prestava atenção nos detalhes.
E foi nessa de “prestar atenção” que ela começou a notar algo estranho: a letra do Papai Noel parecia… familiar. Familiar demais para alguém que morava no Polo Norte, cercado de renas analfabetas.
• Aquilo não saiu da cabeça dela. A cada presente e etiqueta, a sensação crescia como uma pulga atrás da orelha.
No Natal seguinte — cujo ano exato a memória de Nina se recusa a revelar, talvez por autoproteção — ela decidiu agir como toda grande detetive mirim: guardou as etiquetas dos presentes. Todas.
Escondeu como quem guarda provas de um crime importante. E aí, quando teve a oportunidade perfeita, fez a comparação definitiva entre a letra do velho do trenó, a da mãe e a do pai.
O resultado foi estarrecedor — e, aos olhos infantis de Nina, absolutamente científico. O Papai Noel possuía duas caligrafias diferentes, ambas idênticas às de seus pais.
EUREKA! (Claro que ela não pensou essa palavra. Provavelmente pensou algo como “AHÁ!” ou “EU SABIA!”, mas o sentimento era exatamente esse.)
Não havia como guardar aquele segredo. Nina precisava confrontá-los. O pai, pego de surpresa, tentou salvar a fantasia da infância com uma negação de quem sabe que já perdeu. A mãe, mais prática, suspirou fundo e confessou:

E ainda completou com argumentos irrefutáveis:

Pensando bem, Nina teve que admitir: não fazia o menor sentido. A neve, as roupas de inverno, o trenó… tudo isso destoava completamente do Natal vivido no calor de dezembro.
Só a magia da infância para tapar buracos tão grandes numa história tão mal contada.
Curiosamente, Nina não ficou triste. Não houve luto pelo barbudo. Pelo contrário: sentiu orgulho. Ela tinha sido esperta. Tinha desvendado a verdade por trás da maior farsa natalina da humanidade. Seu primeiro grande caso estava resolvido.
O problema é que detetives não sabem guardar segredos.
• A irmã foi arrancada da fantasia um pouco antes do tempo, pois acreditou nisso.
• A prima Bruna, por sua vez, brigou com Nina com todas as forças — afinal, ela estava claramente maluca por duvidar de algo que a mãe havia garantido solenemente.
• Em relação às amiguinhas da escola… Nina não se lembra exatamente, mas pode afirmar, com razoável certeza, que algumas infâncias também foram abaladas naquele ano.
Hoje, ao revisitar essa história, Nina percebe que a magia da infância não acabou com a “morte” do Papai Noel.
O encanto não estava no homem barbudo, mas no esforço dos pais, nos silêncios cúmplices e no amor que se disfarçava de fantasia para fazer o mundo parecer mais seguro por um tempo.
Estava nas mesas cheias, nas risadas altas, nos presentes embrulhados às pressas depois de um mês inteiro de trabalho. Estava na família tentando, do seu jeito imperfeito, criar um milagre doméstico.
O encanto mora nas descobertas, nas perguntas e nas pequenas verdades que a gente vai desvendando pelo caminho — até mesmo quando a descoberta é a própria realidade.
Crescer, ela entende agora, não é perder a magia, mas aprender onde ela realmente mora.
No fundo, talvez isso também seja Natal: acreditar com força, desconfiar um pouco, amar apesar de tudo e guardar para sempre o brilho de quando tudo ainda parecia possível — inclusive um senhor de vermelho escrevendo no Polo Norte com a letra da mãe da Nina.
Texto e imagens: The stories/Reprodução












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