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História do domingo: Você já tem par?


Canjica season

Então fica assim: A gente se encontra em outra ocasião. Na festa junina, festa de peão ou no bar da esquina.  O mundo é tão pequeno, afinal.


Quadrilha


No compasso leve de uma dança imaginária, o poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, nos conduz por uma coreografia de afetos desencontrados.


"João amava Teresa que amava Raimundo..." — e assim segue a fila dos que sentem demais por quem não os vê, dos que esperam por alguém que já foi embora antes mesmo de chegar.


• É um ciclo de afetos não correspondidos, um verdadeiro carrossel de sentimentos que não se encontram.


Metaforizado pela quadrilha, o amor surge como uma dança em que os pares estão trocados e os sentimentos, desalinhados.


Quase todos estão apaixonados — e são alvo da adoração de alguém —, mas as linhas parecem estar cruzadas, e nenhum relacionamento se concretiza. Como já dizia Marília Mendonça: “quem eu quero não me quer.”


Assim, Drummond retrata o amor como uma espécie de jogo da sorte, do qual apenas alguns têm a chance de vencer.


• Até que, no último verso, o poeta nos revela a reviravolta: Lili casa com J. Pinto Fernandes, que “não tinha entrado na história.


Após tantos sentimentos frustrados, o único que casa o faz com alguém que nem fazia parte da dança.


E aí a gente se lembra: o amor não é uma questão de merecimento, lógica ou narrativa — ele simplesmente acontece.


Bem longe do romantismo idealizado, Drummond mostra que o amor, na vida real, muitas vezes, é assim: desencontrado, desajeitado e inexplicável. E, justamente por isso, profundamente humano.


Você já tem par?

(Baseado em uma história real)

Como o mês de junho tem cheiro de amor e canjica, Sophia sentiu vontade de compartilhar sua história — que, por coincidência, também começou numa festa junina.


• No dia 2 de junho de 2023, Sophia foi trabalhar como correio elegante numa festa junina da faculdade.


No meio da correria e organização do evento, já era a hora da quadrilha improvisada. Ela combinou de dançar com uma amiga, já que nenhuma das duas tinha par.


Quando entrou no trenzinho da quadrilha, reparou no menino que estava na sua frente. Achou-o bonito e logo comentou com sua amiga: “Bem que ele podia me chamar pra dançar, né?”


Como se tivesse escutado, assim que o trenzinho terminou, ele virou-se e perguntou: você já tem par?


Sophia respondeu que não. Traiu o combinado com sua amiga — desculpa, Duda, rs — mas foi por uma boa causa.


• Eles dançaram. Trocaram nomes, passos e olhares. Ele se chamava Rodrigo. O clima ficou meio tenso e descontraído, mas também muito gostoso.


Quando a quadrilha acabou, Rodrigo chamou Sophia para dançar novamente. Ela, que nunca teve coordenação nenhuma e sempre pisou no pé dos outros, resolveu aceitar o convite.


Deu um aviso: “olha… eu não sei dançar, tá?” Ele riu e respondeu: “fica tranquila! Eu também não.”


Era mentira. Rodrigo dançava muito bem — e Sophia pisou no seu pé umas cinquenta vezes. Mas foi tão divertido. Tão leve. Tão mágico. Foi como se o mundo ao redor tivesse desaparecido.


Quando a dança terminou, ele foi com ela ao bebedouro. Foi ali que o romance começou.


• Depois disso, vieram os encontros na faculdade, os cinemas e os sorvetes. Aquela sensação gostosa de querer estar sempre por perto.


Nas férias, ele foi para Redenção, enquanto ela permaneceu em Palmas. Nessa época, Sophia tinha acabado de comprar os ingressos para o show da Taylor Swift — e estava na missão de fazer vários friendship bracelets.


Comentou isso com Rodrigo, que disse queria um também. Sophia deu para ele uma pulseira de miçangas pretas com o seu nome.


Quando as aulas voltaram, ele deu para ela uma pulseira igual à que ela tinha feito — mas com o nome dele. Contou que foi atrás da sua mãe para conseguir as miçangas — e esse foi o pedido de namoro.


É brega? Pode ser. Mas Sophia confessa que nunca tinha sido tão feliz. Tão apaixonada. Tão leve.


• Hoje, eles estão juntos há quase dois anos. Ela “meio médica”. Ele quase formando.


Sophia ama as terças-feiras com Rodrigo na feira, onde comem bolo e tapioca. Ama o fato de ele ser vascaíno e odiar o Rio de Janeiro. Ama que ele é muito inteligente, mas nunca arrogante.


Ela ama enchê-lo de perguntas, sabendo que ele explicará tudo com a maior paciência do mundo.


Ela ama que ele anda com sachês de comida e pratinhos para alimentar todos os gatos e cachorros de rua que ele vê. Ela ama que a banda favorita dele é Calcinha Preta.


• Ama que ele é um ótimo dançarino — e quer dançar com ele a vida toda. Ama cada oportunidade de tomar café e comer biscoito frito com ele.


Sophia espera que esse amor continue sempre assim: forró tocando, cheiro de milho assado, friozinho na barriga e quentinho na alma. Amor de festa junina, de dança desajeitada.


No fim, o que realmente sustenta é esse amor leve, que não precisa de grandes reviravoltas. Um amor que não arrebata, mas acolhe. Que todos os dias escolhe ficar — não porque precisa, mas porque quer.


Texto e imagens: The stories/Reprodução

 
 
 

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