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Itaperinha: onde a memória quilombola mantém viva a identidade de Tutóia

  • Foto do escritor: reginaldorodrigues3
    reginaldorodrigues3
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Comunidade preserva tradições ancestrais, fortalece a cultura afro-maranhense e integra os roteiros que valorizam experiências autênticas no município



Em meio às dunas, praias e lagoas que fazem de Tutóia um dos destinos mais encantadores do litoral maranhense, existe um lugar onde o maior patrimônio não é a paisagem, mas a história de um povo.


A comunidade quilombola de Itaperinha, certificada como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares desde 17 de janeiro de 2017, preserva um legado construído ao longo de gerações por descendentes de africanos escravizados, mantendo vivas manifestações culturais, saberes tradicionais, a culinária, o artesanato e um modo de vida que continua sendo motivo de orgulho para seus moradores.



Ali, a cultura não é apresentada como espetáculo. Ela faz parte do cotidiano.


Quem chega a Itaperinha não encontra apenas uma comunidade aberta à visitação. Encontra pessoas dispostas a compartilhar histórias, tradições e um modo de viver que atravessou o tempo sem perder sua essência.



Mais do que conhecer um quilombo, o visitante é convidado a viver experiências que despertam os sentidos. O aroma do café recém-passado se mistura ao cheiro dos bolos de tapioca assados em forno de barro, preparados da mesma forma que os antepassados faziam.


À mesa, doces artesanais de buriti, goiaba e outras frutas da região revelam sabores que preservam a memória da cozinha ancestral. Enquanto essas delícias são compartilhadas, as conversas acontecem naturalmente ao redor do forno, entre lembranças, histórias e ensinamentos transmitidos de geração em geração, fazendo da hospitalidade uma das marcas mais fortes da comunidade.



Um dos maiores símbolos dessa herança cultural é a Dança do Caroço, manifestação típica de Tutóia que reúne música, poesia, percussão e dança em uma celebração da memória coletiva. Ao som das caixas, cabaças e versos inspirados no cotidiano, homens, mulheres, jovens e crianças mantêm viva uma tradição que continua fortalecendo os laços da comunidade e reafirmando sua identidade cultural.


Além da riqueza das manifestações culturais, Itaperinha preserva o artesanato, os conhecimentos tradicionais e a simplicidade de um modo de vida em que o trabalho coletivo, o respeito aos mais velhos e a valorização das raízes fazem parte da rotina.


Nos últimos anos, esse patrimônio cultural passou a integrar os novos roteiros turísticos de Tutóia, resultado de um trabalho desenvolvido pela Secretaria Municipal de Turismo, em parceria com o Sebrae-MA, voltado à valorização das comunidades tradicionais e ao fortalecimento do turismo de base comunitária. A proposta não é apenas apresentar novos atrativos aos visitantes, mas fazer com que a própria comunidade seja protagonista da preservação de sua história e beneficiária das oportunidades geradas pelo turismo.



Em um município conhecido pelo encontro dos Pequenos Lençóis Maranhenses com o Delta do Parnaíba, Itaperinha mostra que as maiores riquezas de um destino nem sempre estão apenas nas paisagens. Elas também vivem na memória de seu povo, nos sabores que atravessam gerações, na música que ecoa pelas rodas da Dança do Caroço e na acolhida sincera de quem recebe cada visitante como se estivesse abrindo as portas da própria casa.



Conhecer Itaperinha é compreender que o turismo também pode ser um caminho para preservar identidades, fortalecer comunidades e valorizar histórias que merecem continuar sendo contadas. É descobrir um Maranhão onde tradição, pertencimento e hospitalidade caminham lado a lado, transformando cada visita em uma experiência de aprendizado, respeito e encantamento.


Curiosidade sobre a Comunidade de Itaperinha:


Durante a nossa visita a comunidade, moradores compartilharam histórias e memórias transmitidas entre gerações. Entre elas, uma narrativa oral que associa a comunidade à jornalista Glória Maria (15/081949 - 02/02/2023).


Alguns dizem que a saudosa Glória Maria, nasceu lá, outros falam que quem nasceu na comunidade foi um de seus genitores. A informação, entretanto, não possui confirmação em registros históricos ou biográficos conhecidos.



 
 
 

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