Lençóis Maranhenses avançam no debate sobre acessibilidade em unidades de conservação
Gestão do Parque participa de encontro nacional em Foz do Iguaçu e prepara estratégias para ampliar a inclusão; três atrativos de lagoas deverão receber adaptações, um em Santo Amaro, um em Barreirinhas e outro em Atins

O acesso à natureza como um direito de todos, independentemente de limitações físicas, sensoriais ou outras condições, está no centro das discussões do II Encontro Nacional de Acessibilidade em Unidades de Conservação Federais, realizado nesta segunda (15) e terça-feira (16), no Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR).
Promovido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o encontro reúne gestores, agentes ambientais, profissionais do ecoturismo, pesquisadores e representantes da sociedade civil para discutir desafios e soluções capazes de tornar as áreas protegidas mais democráticas, seguras e inclusivas.
Entre as unidades envolvidas nas discussões está o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (PNLM), onde a acessibilidade começa a ganhar espaço também no planejamento da visitação.
Segundo o chefe do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, Cláudio Pereira, os editais de credenciamento nº 01/2026 e nº 02/2026 já incorporam orientações relacionadas à inclusão e à necessidade de adaptações em três atrativos.
“Estamos preparando estratégias para promover acessibilidade”, afirmou Cláudio Pereira ao Cazumbá.
Três lagoas deverão ser contempladas

A gestão ainda não definiu quais serão os três atrativos nem quais intervenções serão realizadas. Cláudio adiantou, entretanto, que serão três lagoas: uma na região de Santo Amaro, uma em Barreirinhas e outra em Atins.
A definição deverá considerar as particularidades de um ambiente como os Lençóis Maranhenses, marcado por dunas, terrenos arenosos, lagoas e deslocamentos que representam desafios adicionais para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Por isso, a experiência compartilhada entre diferentes unidades de conservação durante o encontro em Foz do Iguaçu poderá contribuir para a construção das estratégias que serão adotadas no parque maranhense.

O ICMBio já reúne experiências de acessibilidade implantadas em diferentes unidades de conservação brasileiras. Há parques com trilhas e passarelas acessíveis, jardins sensoriais, cadeiras anfíbias e recursos de comunicação em Libras, demonstrando que as soluções podem variar conforme as características ambientais e o perfil de cada área protegida.
Natureza também é direito
Outro ponto que ganha destaque no encontro é o combate ao capacitismo, entendido como a visão que associa automaticamente a deficiência à incapacidade ou pressupõe que determinadas experiências não podem ser vivenciadas por pessoas com deficiência.
Uma das mensagens apresentadas durante o encontro chama atenção justamente para essa mudança de perspectiva: a ausência de pessoas com deficiência em determinados espaços naturais não significa ausência de interesse.

A discussão está alinhada à Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), que considera também as barreiras existentes no ambiente e na sociedade para compreender as limitações à participação plena e efetiva das pessoas com deficiência.
Nos Lençóis Maranhenses, transformar essa discussão em ações concretas representa um desafio particular: proporcionar experiências mais inclusivas sem descaracterizar os ambientes naturais nem comprometer sua conservação.
A futura escolha de três lagoas para receber adaptações sinaliza um primeiro movimento nesse sentido. Mais do que permitir chegar a um atrativo, a proposta coloca em discussão um conceito cada vez mais presente no turismo de natureza: conservar e incluir precisam caminhar juntos para que o patrimônio natural possa, de fato, ser vivenciado por todos.
Fotos cedidas: Divulgação








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