O Maranhão não precisa reinventar a roda no turismo
Novo governo deve preservar o que está dando certo e colocar o turismo nas mãos de quem conhece o setor, o mercado e a diversidade do Estado

A eleição de Eduardo Braide para o Governo do Maranhão, em primeiro turno abre um novo ciclo. E o trade turístico precisa aproveitar este momento para se posicionar.
Não para indicar nomes. Não para disputar cargos. Mas para dizer claramente que perfil queremos à frente do turismo maranhense.
O Maranhão não precisa fazer experiências. Muito menos entregar o setor a alguém que chegue querendo reinventar a roda e começar tudo novamente.
Já vimos isso acontecer. Mudam governos, chegam gestores sem vivência suficiente no turismo, projetos são abandonados e novas ideias começam do zero, muitas vezes ignorando avanços conquistados anteriormente. E quem perde é o Maranhão.

Há muita coisa boa acontecendo e que precisa ter continuidade: avanços na conectividade aérea, a perspectiva de ligação internacional com Portugal, novos investimentos da hotelaria em São Luís e projetos de expansão na região dos Lençóis Maranhenses, entre outras iniciativas.
Novo governo não significa terra arrasada. O que funciona precisa continuar. O que precisa melhorar deve ser corrigido. E o que falta precisa ser construído.
Mas há lacunas.
Voltei recentemente de São Paulo, onde conversei com operadores durante a ABAV Expo. Ouvi muitos elogios ao Maranhão, mas também constatei algo preocupante: para boa parte do mercado, Maranhão ainda é praticamente sinônimo de Lençóis Maranhenses.
E temos muito mais.

Temos São Luís, Chapada das Mesas, Floresta dos Guarás e uma diversidade de territórios, culturas, paisagens e experiências que ainda precisam conquistar maior espaço nas prateleiras do mercado.
A Chapada das Mesas é um exemplo que merece atenção. Ao conversar com operadores sobre a região, ouvi que eles comercializam o destino por meio de parceiros ligados ao Jalapão.
Mérito deles. Quem trabalha, estrutura e vende merece colher os resultados.
Mas isso nos deixa uma pergunta incômoda: onde está o Maranhão nessa comercialização?

Algo semelhante acontece há muito tempo no Delta do Parnaíba, dentro da Rota das Emoções, que integra Maranhão, Piauí e Ceará. Os profissionais piauienses souberam trabalhar e comercializar muito bem esse produto. Mérito deles novamente.
A lição é simples: ter o território não significa ter o mercado.
Precisamos assumir maior protagonismo sobre nossos destinos.

E é justamente por isso que o perfil de quem comandará o turismo importa tanto.
Precisamos de alguém que conheça o Maranhão e tenha vivência no turismo. Que dialogue com empresários, profissionais, trabalhadores, municípios, IGRs e entidades. Que entenda promoção, comercialização, mercado e gestão pública.

A formação acadêmica é importante, assim como pesquisa e planejamento. Mas não podemos ficar apenas no academicismo e na teoria. Turismo acontece na prática, na ponta, onde o visitante chega, compra, se hospeda, come, circula e vive o destino.
Também não precisamos de gestores querendo impor bandeiras pessoais. Existem inúmeros segmentos que podem e devem ser trabalhados pelo Maranhão. Mas políticas de turismo precisam nascer de planejamento, dados, identidade territorial e diálogo com quem efetivamente faz o turismo acontecer.
O próximo secretário não precisa chegar para ensinar ao Maranhão aquilo que o Maranhão já aprendeu.

Precisa chegar disposto a ouvir, compreender o que já foi construído, preservar os bons projetos, corrigir as falhas e abrir novos caminhos.
Ao governador eleito caberá escolher sua equipe. Ao trade turístico cabe mostrar que turismo é importante demais para servir de laboratório para experiências administrativas.

Não precisamos de alguém para inventar a roda.
Precisamos de alguém preparado para fazê-la continuar girando - e levar o turismo do Maranhão muito mais longe.








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