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O Ritmo da Terra: a lida que transforma mandioca em farinha

  • Foto do escritor: reginaldorodrigues3
    reginaldorodrigues3
  • há 1 hora
  • 2 min de leitura
Seu Amanso e Izolina
Seu Amanso e Izolina

No interior do Maranhão, onde o dia começa cedo e a terra marca o compasso da vida, a casa de farinha continua sendo um dos espaços mais autênticos da cultura rural. Em Paraibano, na região central do estado, homens e mulheres se reúnem para uma etapa essencial desse processo: descascar a mandioca, matéria-prima de um dos alimentos mais presentes na mesa do maranhense.


Dona Maria
Dona Maria

As imagens foram registradas no aviamento de seu Zé Bembem, proprietário da estrutura onde funciona a casa de farinha. Como acontece há muitos anos em diversas comunidades rurais, ele disponibiliza o espaço para os produtores em troca de um percentual da farinha produzida, mantendo viva uma relação de parceria e ajuda mútua que atravessa gerações.


Sebastião e Valdecina
Sebastião e Valdecina

Na data de hoje (02/07), a farinhada é de Valdecina e Sebastião, responsáveis pelo cultivo da mandioca. Depois da colheita, eles levaram a produção para ser beneficiada na casa de farinha. Em troca do trabalho de descascar a mandioca, familiares, amigos e vizinhos recebem parte da farinha produzida, num sistema baseado na cooperação e na partilha.



Sentados lado a lado, sob a sombra de um telhado simples, homens e mulheres manejam as facas com a precisão de quem aprendeu o ofício ainda na infância. O som ritmado das cascas se desprendendo da raiz se mistura às conversas, aos risos e às histórias compartilhadas, enquanto a mandioca segue para as etapas que darão origem à farinha, alimento indispensável na culinária maranhense.



Muito além do trabalho, a cena retrata um modo de vida que resiste ao tempo. A casa de farinha é um espaço de convivência, onde se fortalecem os laços comunitários e se preservam saberes transmitidos entre gerações. Cada etapa da produção revela não apenas a importância econômica da mandioca, mas também valores como solidariedade, reciprocidade e respeito ao trabalho coletivo.


Em tempos de mecanização e de profundas transformações no campo, cenas como essa lembram que uma das maiores riquezas do Maranhão continua sendo o seu povo, que mantém vivas tradições capazes de transformar a força da terra em alimento, cultura e identidade.



Imagens registradas por Eveline Costa, no aviamento de seu Zé Bembem, em Paraibano (MA).

 
 
 

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