Operadores confirmam força do Maranhão no mercado turístico e apontam desafios para ampliar vendas
Cazumbá ouviu na ABAV Expo empresas que comercializam o destino; dados da Setur-MA mostram que 1.480 operadores e agentes foram capacitados para oferecer pacotes para São Luís, Chapada das Mesas, Lençóis e Delta

SÃO PAULO - Depois de três dias percorrendo a ABAV Expo 2026, no Expo Center Norte, o Cazumbá foi atrás de uma resposta que ajuda a medir a presença real do Maranhão no mercado turístico: como o estado está sendo vendido pelas operadoras brasileiras?
A resposta veio diretamente de empresas que comercializam o destino e mandam turistas para o Maranhão.
José Eduardo Marmosa, da Flot Operadora; Pedro Franco, da Viva Lá; Edna Castillo, da BeFly; e Kelly Daoud, da Freeway foram ouvidos pelo Cazumbá durante a feira.

As entrevistas revelam um cenário positivo: o Maranhão é conhecido, desejado e comercializado. Os Lençóis Maranhenses aparecem como principal força de venda, São Luís mantém importância fundamental na composição dos roteiros e a Chapada das Mesas surge como produto de grande potencial, mas ainda necessitando ganhar maior presença comercial.
Uma rede de quase 1.500 profissionais capacitados
As quatro operadoras ouvidas pelo Cazumbá são apenas uma amostra de uma rede de comercialização potencialmente muito maior. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado do Turismo (Setur-MA), em 2025 foram capacitados 1.480 operadores e agentes de viagens para oferecer aos clientes pacotes para São Luís, Chapada das Mesas, Lençóis e Delta.
O dado não significa, porém, que os 1.480 profissionais estejam atualmente enviando turistas ao Maranhão. Capacitação não é sinônimo automático de venda. O número revela, entretanto, a dimensão do universo de profissionais do mercado que já foram alcançados pelas ações de promoção e preparados para conhecer e comercializar os destinos maranhenses.

E é justamente daí que nasce uma pergunta importante: quantos desses operadores e agentes efetivamente vendem o Maranhão e quantos turistas essa rede envia anualmente ao estado?
As entrevistas feitas pelo Cazumbá na ABAV ajudam a abrir essa discussão. Se algumas empresas, isoladamente, relatam centenas - e, em determinados casos, mais de mil passageiros, destinados ao Maranhão, conhecer o volume total movimentado pelos diferentes canais de comercialização ajudaria a dimensionar com maior precisão a força do destino no mercado intermediado.
Maranhão entre os grandes produtos nacionais
José Eduardo Marmosa, da Flot Operadora, afirma que trabalha com o Maranhão há muitos anos e coloca a oferta turística do estado em posição de destaque no mercado brasileiro.
Com 42 anos de atuação, a operadora comercializa o destino praticamente desde o início de suas atividades. Para Marmosa, poucos estados conseguem reunir produtos tão distintos e complementares. Ele destaca São Luís, com seu conjunto colonial e uma cultura singular; os Lençóis Maranhenses; e a Chapada das Mesas como uma combinação capaz de tornar o Maranhão um produto diferenciado no mercado nacional.
A Flot estima movimentar entre 500 e 600 passageiros por ano para o Maranhão.

Mas o operador chama atenção para uma dificuldade que continua pesando na comercialização: o custo das passagens aéreas. Quando o transporte encarece, aumenta também o preço final do pacote, interferindo diretamente na competitividade do destino diante de outras opções nacionais.
Lençóis puxam as vendas
Na Viva Lá, Pedro Franco também confirma a força comercial do Maranhão. A operadora trabalha regularmente com o estado e estima cerca de 150 passageiros em sua operação regular, volume que pode chegar a aproximadamente 300 quando consideradas as viagens privativas.
Mais uma vez, os Lençóis Maranhenses aparecem como grande indutor das vendas. O desafio está em aproveitar essa capacidade de atração para ampliar a circulação dos visitantes por outros destinos maranhenses e construir produtos que estimulem uma permanência maior no estado.
Mais de mil passageiros
Na BeFly, Edna Castillo revelou que a operação envolvendo o Maranhão ultrapassa mil passageiros, embora não tenha apresentado um quantitativo total fechado durante a entrevista.
O número reforça uma percepção observada pelo Cazumbá durante a ABAV: o Maranhão já possui presença efetiva nas prateleiras das grandes empresas do setor. Existe demanda. Existe produto. E existe interesse do mercado. O desafio passa a ser ampliar essa escala.
Natureza como diferencial
Kelly Daoud, da Freeway, também destacou a força dos produtos maranhenses ligados à natureza. A operadora não apresentou uma estimativa de passageiros enviados ao estado, mas sua leitura reforça a importância dos Lençóis Maranhenses e o potencial de expansão de outros destinos.
Nesse cenário, a Chapada das Mesas merece atenção especial. Embora seja um dos grandes produtos naturais do Maranhão, ainda existe uma diferença perceptível entre seu enorme potencial turístico e sua presença nos canais nacionais de comercialização. Promoção continuada, estruturação do produto, conectividade, acesso e aproximação com operadoras podem ajudar a diminuir essa distância.
O que dizem aqueles que vendem o Maranhão
Ouvir operadores durante a ABAV permitiu ao Cazumbá olhar para o turismo maranhense por um ângulo diferente: não apenas pela ótica de quem promove o destino, mas de quem precisa transformar atrativos em pacotes e pacotes em vendas.
E essa leitura traz uma mensagem importante. O Maranhão não parte do zero. São Luís é conhecida. Os Lençóis Maranhenses conquistaram projeção nacional e internacional. A Chapada das Mesas possui enorme potencial. Outros territórios começam a buscar espaço.
Ao mesmo tempo, aparecem desafios recorrentes: conectividade aérea, preço das passagens, infraestrutura, integração entre destinos, ampliação da oferta e maior presença dos produtos maranhenses junto às redes de distribuição.
Há ainda um desafio de inteligência de mercado. Além de capacitar operadores e agentes, é importante acompanhar quantos passaram efetivamente a comercializar o destino, quantos passageiros geram e quais produtos maranhenses têm maior saída. Essa informação permitiria avaliar com mais precisão o retorno das ações promocionais e orientar novas estratégias.
A ABAV termina, portanto, deixando uma pergunta que vai além dos corredores da feira: se o mercado demonstra interesse e as operadoras já vendem o Maranhão, o que falta para transformar esse potencial em um fluxo ainda maior de turistas pelo estado?
É uma discussão que não termina com a ABAV.
Neste domingo, o Cazumbá publica o balanço definitivo dos três dias da ABAV Expo 2026 e aponta os principais desafios que ficam para o turismo do Maranhão.
Nota de apuração: o dado de 1.480 operadores e agentes capacitados refere-se às ações da Setur-MA divulgadas sobre o ano de 2025.








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