Paraíso do Una: um refúgio onde a natureza ainda dita o ritmo da vida em Morros
- reginaldorodrigues3
- há 21 minutos
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Entre nascentes, florestas em regeneração, chalés exclusivos e um rio praticamente reservado aos hóspedes, empreendimento se transforma em exemplo de turismo sustentável no Polo Munim
Quem chega ao Paraíso do Una, em Morros, percebe rapidamente que existe algo diferente naquele lugar.

Antes mesmo de avistar os chalés de madeira ou ouvir o som das águas correndo em direção ao Rio Una, um detalhe chama a atenção dos mais observadores: muitas árvores apresentam manchas esbranquiçadas espalhadas pelos troncos.

À primeira vista, parecem apenas marcas do tempo. Na verdade, são líquens, organismos extremamente sensíveis à poluição atmosférica e reconhecidos pela ciência como importantes bioindicadores da qualidade ambiental. Sua presença abundante revela algo raro nos dias atuais: um ambiente onde o ar permanece limpo e a natureza segue em equilíbrio.

O cenário ajuda a explicar por que o Paraíso do Una se tornou um dos segredos mais bem guardados do turismo de natureza no Polo Munim.
Localizado em uma área de aproximadamente 17 hectares às margens do Rio Una, o empreendimento nasceu há apenas quatro anos, mas já demonstra que é possível conciliar turismo, conforto e preservação ambiental.

Os chalés, construídos em madeira e totalmente equipados, foram planejados para oferecer privacidade e autonomia aos visitantes. Com cozinha completa e acesso restrito apenas aos hóspedes, o espaço aposta em um conceito cada vez mais valorizado: a exclusividade proporcionada pela natureza.

O resultado é uma experiência distante da agitação comum aos destinos turísticos tradicionais. Não há fluxo intenso de visitantes, nem áreas abertas para banho público. O rio, as trilhas e os espaços de convivência são compartilhados apenas por quem escolhe se hospedar ali.

Mas a grande riqueza do Paraíso do Una vai muito além da hospedagem.
Poucos visitantes imaginam que, dentro da propriedade, nascem três pequenas fontes que se unem para formar o Rio Guarimã, um afluente que percorre a área antes de desaguar no Rio Una. O pequeno curso d'água abriga espécies como traíra, piau e cará, além de contribuir para a manutenção dos ecossistemas que cercam o empreendimento.
A paisagem atual, no entanto, nem sempre foi assim.

Antes de se transformar em uma área voltada para o turismo e a conservação, parte da propriedade era utilizada para o cultivo de mandioca. Ao adquirir a área, os proprietários optaram por interromper qualquer atividade produtiva durante anos, permitindo que a vegetação se regenerasse naturalmente.
Hoje, o resultado desse processo pode ser visto em todos os cantos.
Um imenso paredão verde cerca parte da propriedade, formado por espécies típicas dos ecossistemas da região. Buritis, juçaras, guarimãs, dracós e dezenas de outras árvores nativas ajudam a recompor uma paisagem que havia sido degradada ao longo do tempo.

Mais de 60 espécies vegetais já foram identificadas no local, especialmente em áreas de brejo e matas úmidas, ambientes fundamentais para a manutenção dos recursos hídricos e da biodiversidade.
E quando a floresta retorna, os animais também voltam.
Nos últimos anos, moradores e visitantes passaram a registrar com frequência a presença de espécies que há muito tempo não eram observadas na região. Tucanos, maracanãs, periquitos, pica-paus, preguiças, cutias, quatis e até cachorro-do-mato voltaram a ocupar o espaço.

Recentemente, um hóspede conseguiu fotografar um veado circulando livremente pela propriedade, um sinal inequívoco de que o ambiente oferece segurança e condições adequadas para a fauna silvestre.
A preocupação ambiental também está presente na gestão do empreendimento.
Sistemas de biodigestão são utilizados para o tratamento de resíduos, enquanto a energia consumida pelos chalés é compensada por meio de geração solar instalada em outra propriedade da família. Entre os projetos futuros está a utilização da força das águas para geração de energia motriz, ampliando ainda mais o compromisso com a sustentabilidade.

Mas talvez o maior diferencial do Paraíso do Una seja justamente aquilo que não existe por lá.
Não há caixas de som potentes, festas ou barulho excessivo.
O canto das aves substitui as playlists. O som do vento atravessando os buritizais toma o lugar do ruído urbano. À noite, a escuridão natural revela um céu estrelado cada vez mais raro de ser visto.

Em uma época marcada pela correria, pela hiperconectividade e pela ocupação crescente dos espaços naturais, o Paraíso do Una oferece algo que não pode ser construído artificialmente: a sensação de estar em um lugar onde a natureza continua sendo a verdadeira protagonista.
E talvez seja exatamente isso que faz desse pequeno recanto às margens do Rio Una um dos lugares mais especiais de Morros.
Fotos: Acervo Cazumbá / cedidas pelo Paraiso do Una / Divulgação




