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Plano de Turismo do Maranhão 2040 começa a ser construído ouvindo o trade e expõe desafios para o futuro do setor

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    reginaldorodrigues3
  • 17 de ago.
  • 7 min de leitura

Primeira Oficina Territorial, realizada nesta segunda-feira (17), em São Luís, reuniu poder público, empresários, trabalhadores e instituições; programação segue por municípios de diferentes regiões do Maranhão até 1º de setembro



A construção de um planejamento capaz de atravessar governos, enfrentar antigos gargalos e preparar o Maranhão para um novo cenário do turismo começou a ganhar forma nesta segunda-feira, 17 de agosto, com a realização, em São Luís, da primeira das Oficinas Territoriais para a construção do Plano de Turismo do Maranhão 2040.


Promovido pelo Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur-MA), o encontro aconteceu no auditório do Centro de Produção Artesanal do Maranhão (Ceprama) e reuniu representantes do poder público, empresários, trabalhadores, entidades do trade, instâncias de governança, instituições parceiras e outros atores ligados à atividade turística.


O processo tem caráter técnico-participativo e busca ouvir quem vivencia o turismo nos diferentes territórios antes da consolidação das estratégias que deverão orientar a política pública estadual para o setor até 2040.


Durante a programação foram apresentados o diagnóstico e os cenários do turismo maranhense, discutidos os eixos estratégicos do futuro Plano Estadual de Turismo e propostas macroações para o desenvolvimento da atividade.


Mais do que projetar o turismo que o Maranhão pretende ter daqui a 14 anos, as discussões evidenciaram questões que precisam ser enfrentadas desde agora: infraestrutura, conectividade, segurança, qualificação profissional, sazonalidade, concentração dos fluxos turísticos, sustentabilidade e inclusão das comunidades e dos pequenos negócios.


Um plano de Estado, não apenas de governo


Para o secretário adjunto de Turismo do Maranhão, Ruan Tavares, um dos principais objetivos do processo é justamente construir um planejamento que tenha continuidade e não fique condicionado às mudanças de gestão.


Segundo ele, as oficinas permitirão ouvir os diferentes atores dos dez polos turísticos do Estado, além de considerar regiões que futuramente possam integrar novas configurações do mapa turístico maranhense.

“O principal desafio, de fato, é a gente pensar nessa continuidade. A gente sabe que entra governo, sai governo, e algumas decisões e diretrizes acabam sendo redimensionadas. O plano é justamente para poder traçar um norte, a longo prazo, para o turismo no Maranhão”, afirmou.

Ruan destacou que o planejamento precisa considerar o momento de crescimento vivido pelo turismo maranhense e, particularmente, a maior pressão da visitação sobre destinos de grande projeção.


Nesse contexto, apontou a necessidade de atenção especial à sustentabilidade dos Lençóis Maranhenses, buscando conciliar crescimento econômico, preservação ambiental e benefícios sociais.

“Precisamos de um olhar mais voltado para a sustentabilidade, para um turismo responsável, para que possamos ter o Maranhão, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e os demais polos turísticos sustentáveis econômica, social e ambientalmente ao longo das próximas décadas”, ressaltou.

O secretário adjunto reforçou ainda que a proposta é construir um planejamento com participação ampla de guias, agentes de turismo, hoteleiros, restaurantes, conselhos municipais, instâncias de governança e demais segmentos.


Ao ser questionado pelo Cazumbá se a intenção seria estabelecer um plano de turismo de Estado, e não apenas de uma gestão, Ruan foi categórico:

“Exatamente. Um plano de Estado, para que gestões futuras deem continuidade a esse trabalho.”

Diagnóstico aponta concentração do turismo e risco de overtourism


O consultor das Oficinas Territoriais da Turismo 360, Ricardo Cirqueira, apresentou alguns dos problemas já identificados no diagnóstico que subsidia a elaboração do Plano de Turismo do Maranhão 2040.


Entre os gargalos estão dificuldades relacionadas à infraestrutura viária, limitações da estrutura hoteleira e de restaurantes em determinadas regiões, além de questões relacionadas aos serviços de saúde, educação e desenvolvimento do capital social.


Outro aspecto considerado preocupante é a concentração da atividade turística em poucos destinos.

“A gente percebe uma concentração muito grande do turismo em algumas regiões, com risco inclusive de superturismo, ou overtourism, como é o caso dos Lençóis Maranhenses, e algumas outras regiões que a gente chama de um apagão de turismo. Você tem uma concentração muito grande em algumas regiões e um vazio em outras”, explicou.

A sazonalidade também aparece no diagnóstico. Enquanto determinados períodos registram grande fluxo, outros enfrentam redução significativa da presença de visitantes, afetando empresas, empregos e a sustentabilidade econômica dos destinos.


Para Cirqueira, a participação social nas oficinas não deve terminar com a elaboração do documento. Ela será fundamental também na etapa de implementação e na cobrança pelo cumprimento das ações.

“Tem que ser um trabalho contínuo de engajamento de todos os setores da sociedade em relação ao que está sendo planejado. É por isso que estamos enfatizando muito a participação dos diversos segmentos, para que possam depois se envolver na implementação e cobrar dos atores públicos o cumprimento do seu papel.”

IGR defende aproveitamento das experiências anteriores


O secretário municipal de Turismo de Raposa e presidente da Instância de Governança Regional (IGR) do Polo São Luís, Edson Duarte, defendeu que o novo planejamento aproveite os diagnósticos e experiências acumulados pelos planos anteriores.


Para ele, é importante identificar aquilo que já foi diagnosticado, o que avançou e, principalmente, o que ainda não conseguiu ser colocado em prática.

“Nós esperamos que esse novo plano venha, de fato, identificar aquilo que ainda não foi possível ser feito para que o Estado pudesse realmente ter um turismo forte e competitivo, como já acontece em alguns estados do Nordeste”, afirmou.

Edson considera fundamental a união entre academia, poder público, iniciativa privada e demais segmentos envolvidos com o turismo.

“O nosso desejo é que, através dessa união de ideias de todos os setores do turismo, cada um possa dar a sua contribuição para que o turismo realmente venha a se tornar aquilo que a gente tanto fala e sonha: um fator de desenvolvimento social, econômico, cultural e ambiental do Estado.”

Hotelaria cobra segurança, mais voos e infraestrutura


A visão do setor empresarial trouxe para a oficina demandas bastante objetivas. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Maranhão (ABIH-MA), Joaquim Oliveira, apontou segurança, conectividade aérea, infraestrutura urbana, qualificação dos serviços e promoção do destino entre os desafios que precisam estar contemplados no planejamento.

“A gente precisa ter uma quantidade maior de voos e mais acessíveis para a nossa cidade e para o nosso estado. Precisa melhorar a qualidade dos nossos serviços, melhorar a infraestrutura da cidade e comunicar os nossos diferenciais e nossas atrações, não só em nível nacional, como internacional”, afirmou.

A segurança recebeu atenção especial. Joaquim relatou que a hotelaria tem levado suas preocupações às autoridades e mantido interlocução com os órgãos responsáveis, inclusive diante de ocorrências recentes na região da Avenida Litorânea.


Apesar das tratativas, fez uma avaliação crítica dos resultados obtidos até agora.

“Todas essas reclamações que foram feitas, a gente não vê uma evolução, uma melhora na segurança”, declarou.

A manifestação demonstra um dos desafios que deverão acompanhar o Plano 2040: fazer com que as discussões realizadas nos espaços participativos sejam convertidas em respostas práticas para problemas que já interferem na experiência dos visitantes e na operação das empresas.


SEHAMA aponta déficit de mão de obra


A discussão sobre crescimento turístico também passa necessariamente pela disponibilidade e preparação de profissionais para atender à expansão da atividade.


Alysson Soares, representante do SEHAMA – Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação do Maranhão, destacou que o crescimento das empresas precisa ser acompanhado pela formação de mão de obra capaz de responder às demandas do mercado.


Segundo ele, o segmento de hospedagem e alimentação possui uma base superior a 5 mil empregos, mas enfrenta dificuldades relacionadas à disponibilidade e qualificação de profissionais.

“Nosso maior gargalo hoje, além da taxa de imposto que é muito alta, é um déficit muito grande de mão de obra”, afirmou.

Para Alysson, aproximar empresas, instituições e poder público será essencial para enfrentar o problema e fortalecer a atividade.

“A ideia é justamente essa: a união do trade em prol de um objetivo só, que é alavancar o turismo e manter as empresas funcionando. Quanto mais unir, melhor.”

Sebrae destaca inclusão de pequenos negócios e comunidades


A participação dos pequenos empreendedores e das comunidades também apareceu como um dos pontos centrais da discussão.


Flor de Maria, analista do Sebrae-MA e gestora de Turismo do Polo São Luís, destacou a importância de uma construção coletiva envolvendo governo, secretarias, empresas, trade turístico, instituições e comunidades.

“Está sendo muito importante fazer esse trabalho com várias mãos. A comunidade também está aqui com a gente, trocando ideias, formando e fazendo esse plano. É muito importante a presença tanto da classe empresarial como da comunidade, para participar e ter vez e voz”, destacou.

Segundo Flor de Maria, capacitações, oficinas, cursos, palestras e rodadas de conversa são instrumentos importantes para preparar os pequenos negócios para aproveitar as oportunidades proporcionadas pelo desenvolvimento turístico.


Ela citou como exemplo a Feira do Empreendedor 2026, encerrada no domingo (16), em São Luís, que reuniu empreendedores de diferentes regiões do Maranhão e proporcionou capacitação, intercâmbio e aproximação entre participantes.

“Foram muitas trocas de experiências, muitas capacitações e muitas conversas entre eles e entre o trade turístico. Essa troca de experiência enriquece bastante a classe empresarial e a comunidade como um todo”, avaliou.

Oficinas seguem pelo interior do Maranhão


Após a abertura em São Luís, as Oficinas Territoriais seguem por diferentes regiões do Estado, ampliando a escuta e buscando incorporar ao Plano 2040 as particularidades, necessidades e potencialidades dos territórios turísticos maranhenses.


Nesta terça-feira (18), serão realizadas oficinas em Viana e Cururupu. Na quarta-feira (19), será a vez de Itapecuru Mirim e Carutapera. No dia 20 de agosto, a programação chega a Caxias.


Na semana seguinte, as atividades serão retomadas no dia 24, em Açailândia; dia 25, em Carolina; dia 26, em Grajaú; e dia 27, em Pastos Bons.


A programação informada segue até 1º de setembro, quando Tutóia receberá uma das Oficinas Territoriais.


A realização dos encontros em diferentes municípios é uma etapa importante para que o planejamento não seja construído apenas a partir da realidade da capital ou dos destinos de maior fluxo, permitindo que diferentes regiões apresentem seus próprios desafios e propostas.


O desafio começa depois das oficinas


A primeira Oficina Territorial do Plano de Turismo do Maranhão 2040 deixa evidente que o Estado possui potencialidades reconhecidas, mas também problemas estruturais que precisam ser enfrentados para que o crescimento da visitação se traduza efetivamente em desenvolvimento.


Se de um lado destinos como os Lençóis Maranhenses experimentam aumento de fluxo e já provocam discussões sobre capacidade, sustentabilidade e overtourism, de outro ainda existem regiões com potencial turístico que permanecem à margem dos principais circuitos de visitação.


Entre esses extremos estão desafios históricos relacionados à infraestrutura, acesso, segurança, conectividade aérea, mão de obra, qualidade dos serviços, sazonalidade e promoção dos destinos.


Ouvir os diferentes atores em São Luís, Viana, Cururupu, Itapecuru Mirim, Carutapera, Caxias, Açailândia, Carolina, Grajaú, Pastos Bons e Tutóia é um passo importante. O desafio seguinte será transformar essa escuta em metas mensuráveis, prioridades, responsabilidades, orçamento, cronograma e mecanismos permanentes de acompanhamento.


Ao propor um horizonte até 2040, o Maranhão assume o desafio de pensar o turismo para além dos calendários eleitorais. A verdadeira medida do sucesso desse processo, portanto, não estará apenas na qualidade do documento que será produzido, mas na capacidade de transformar planejamento em política pública continuada e, sobretudo, em resultados concretos para quem visita, empreende, trabalha e vive nos territórios turísticos maranhenses.

 
 
 

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