Tiquira do Maranhão conquista Indicação Geográfica e ganha reconhecimento nacional
Registro concedido pelo INPI reconhece a tradição da aguardente de mandioca produzida em cinco municípios maranhenses e abre novas perspectivas para valorização do produto, geração de renda e fortalecimento do turismo de experiência.

Uma bebida que atravessa gerações, carrega saberes tradicionais e guarda em sua produção parte da história do Maranhão acaba de conquistar reconhecimento oficial. A Tiquira do Maranhão recebeu do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência.
A conquista reconhece a reputação construída em torno da tradicional aguardente produzida a partir da mandioca e estabelece como área da Indicação Geográfica os municípios de Urbano Santos, Santo Amaro do Maranhão, Santana do Maranhão, Barreirinhas e Santa Quitéria do Maranhão.
Mais do que identificar a procedência de uma bebida, o registro ajuda a preservar uma tradição associada ao território, aos modos de fazer e aos conhecimentos transmitidos entre gerações.
Uma história documentada

A tiquira tem raízes históricas relacionadas aos povos indígenas e à utilização da mandioca, alimento profundamente ligado à formação cultural e alimentar brasileira.
Para demonstrar a relação da bebida com o território maranhense, o processo de reconhecimento reuniu 3.943 documentos históricos e técnicos, formando uma ampla base documental sobre sua trajetória e reputação.
Segundo José Neres Rocha Santos, presidente da Cooperativa dos Produtores de Tiquira e Agricultores Familiares de Guaribas de Urbano Santos (COOPTAF), a conquista representa o reconhecimento de um trabalho desenvolvido e preservado pelos produtores ao longo de décadas.
Atualmente, a cooperativa reúne 23 produtores, diretamente envolvidos na manutenção e no fortalecimento dessa tradição.
Trabalho construído a muitas mãos

O reconhecimento é resultado de uma articulação que envolveu a COOPTAF, Sebrae Maranhão, Prefeitura de Urbano Santos, Governo do Estado, Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Instituto Federal do Maranhão (IFMA), além de outras instituições parceiras.
O Sebrae Maranhão participou do processo com ações voltadas à estruturação da cadeia produtiva, consultorias técnicas e apoio à preparação do processo para obtenção da Indicação Geográfica.
Para Francisco Gilson Menezes, gerente da Unidade Regional do Sebrae em Chapadinha, o trabalho realizado não criou uma narrativa em torno do produto, mas reuniu evidências de uma história que já fazia parte do território.
“Não se trata de criar uma história para a tiquira. Trata-se de documentar uma história que já existia”, destaca.
Da tradição ao turismo de experiência

A Indicação Geográfica também abre novas possibilidades para a inserção da tiquira na atividade turística. Dois dos municípios que integram a área reconhecida Barreirinhas e Santo Amaro do Maranhão estão entre os principais portões de entrada para os Lençóis Maranhenses.
Essa proximidade permite ampliar a conexão entre produto, território e experiência do visitante. A história da bebida, o cultivo da mandioca, os saberes dos produtores e o processo tradicional de fabricação podem contribuir para experiências ligadas à gastronomia, à cultura e ao turismo rural e de base comunitária.
Nesse contexto, a tiquira deixa de ser vista apenas como uma bebida típica. Torna-se também um elemento capaz de contar uma parte da história do Maranhão por meio de sabores, conhecimentos e pessoas que mantêm viva sua produção.
A Indicação Geográfica pode ainda contribuir para agregar valor, diferenciar o produto no mercado, estimular sua comercialização e ampliar as possibilidades de geração de renda para agricultores e produtores envolvidos na cadeia.
Com o reconhecimento, uma tradição maranhense ganha proteção formal e maior projeção nacional. A Tiquira do Maranhão passa a levar em sua procedência não apenas o nome de um território, mas uma história construída ao longo de gerações.








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