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Turismo precisa de regras, não de abusos

Cobrar é legítimo. Explorar não. O Brasil precisa rever com urgência a forma como trata quem escolhe viajar pelo país.



Depois do lamentável incidente ocorrido neste fim de semana em Porto de Galinhas, envolvendo dois turistas Mato-grossenses, fica evidente que o Brasil precisa, com urgência, repensar e ordenar não apenas destinos turísticos específicos, mas o modelo de turismo praticado na maioria das cidades do país.


É de se lastimar que, muitas vezes, o turista só não seja explorado quando não há oportunidade. E a exploração começa nas pequenas coisas. Uma simples garrafa de água mineral de 500 ml, que em qualquer supermercado custa menos de R$ 2, chega facilmente a R$ 10 em hotéis, mesmo naqueles onde já se paga caro pela diária. Qual a lógica disso?



Criou-se, ao longo dos anos, uma cultura perversa de que o turista “pode pagar mais”. E essa lógica começa logo no aeroporto. Basta tentar fazer um lanche em qualquer terminal aéreo do Brasil para comprovar. Os valores praticados são, em muitos casos, absurdos e injustificáveis.


Recentemente, no aeroporto de São Luís, vivi pessoalmente essa experiência: paguei R$ 42 por uma latinha de refrigerante e uma coxinha. Não se trata de reclamar por cobrar — cobrar é legítimo, mas de questionar o quanto se cobra e por quê. Em muitos casos, o preço não corresponde ao produto, ao serviço nem à realidade econômica do país.



Assim, fomos condicionados a pagar por tudo, em todo lugar, e quase sempre por valores exorbitantes. O turismo, que deveria ser experiência, acolhimento e encantamento, acaba se tornando um exercício de resistência financeira.


Felizmente, ainda há exceções. Nos principais destinos turísticos do Maranhão, como os Lençóis Maranhenses, a Chapada das Mesas, o Delta das Américas, entre outros, ainda não surgiram “espertos” loteando espaços naturais para cobrar por guarda-sóis, cadeiras ou acesso ao que é público. As praias de São Luís, por exemplo, ainda são livres, como devem ser.


Mas o que aconteceu em Porto de Galinhas não é um fato isolado. Ele se repete de norte a sul do país, em praias, centros históricos e áreas turísticas consolidadas. Some-se a isso a presença constante de flanelinhas, “guias turísticos” informais e abordagens invasivas, que muitas vezes mais afastam do que acolhem o visitante.



O Brasil precisa decidir, de uma vez por todas, que tipo de turismo quer oferecer: um turismo predatório, que vê o visitante apenas como fonte de renda imediata, ou um turismo sustentável, organizado, justo e respeitoso, tanto com quem visita quanto com quem vive no destino.


Turista não é inimigo. Turista não é caixa eletrônico.


Turista é parceiro do desenvolvimento local.

E enquanto não entendermos isso, seguiremos perdendo mais do que ganhando.


Combater esses excessos exige ação coordenada do poder público, do setor privado e da sociedade. Algumas medidas são urgentes e plenamente viáveis:


1. Ordenamento e regulamentação dos serviços turísticos;


Municípios turísticos precisam estabelecer regras claras para atuação de ambulantes, guias, flanelinhas e prestadores de serviços informais. Cadastramento, identificação visível, definição de áreas de atuação e fiscalização contínua reduzem abusos e aumentam a segurança do visitante.


2. Tabelamento ou preços de referência para itens essenciais;


Não se trata de engessar o mercado, mas de criar preços de referência para produtos básicos em áreas turísticas, água, refrigerante, alimentação simples e estacionamento. Valores muito acima da média devem ser coibidos, sobretudo em espaços concessionados pelo poder público, como aeroportos e terminais.


3. Condições mínimas em meios de hospedagem


Hotéis, pousadas e resorts deveriam ser estimulados, ou obrigados, a oferecer itens básicos sem cobrança adicional, como água potável nos quartos ou áreas comuns. Isso é hospitalidade, não prejuízo.


4. Fiscalização efetiva e permanente


Leis já existem. O que falta é presença do poder público. Procons, secretarias de turismo, vigilância sanitária e guardas municipais precisam atuar de forma integrada, especialmente em alta temporada, para coibir práticas abusivas e ilegais.


5. Selo de boas práticas no turismo


A criação de um selo municipal ou estadual para estabelecimentos que adotem preços justos, transparência e bom atendimento pode incentivar boas práticas e orientar o turista na hora da escolha.


6. Educação turística e capacitação


É fundamental investir na formação de quem vive do turismo. Comerciantes, prestadores de serviços e comunidades precisam compreender que o visitante satisfeito retorna, indica o destino e movimenta a economia de forma sustentável.


7. Canais acessíveis de denúncia ao turista


Aplicativos, QR Codes, totens informativos e campanhas visuais podem facilitar denúncias rápidas de abusos, com resposta ágil do poder público. O turista precisa saber a quem recorrer.


O turismo brasileiro não pode continuar refém da lógica do ganho imediato. Explorar o visitante é comprometer o futuro do próprio destino. Países e cidades que entenderam isso avançaram, se consolidaram e hoje colhem os frutos de um turismo equilibrado e respeitoso.


Turismo de qualidade não se mede pelo quanto se cobra, mas pela experiência que se entrega.


Fotos Ilustrativas: Acervo pessoal/Divulgação



 
 
 

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