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Varanda das Letras celebra São Luís em versos, memórias e afetos

  • Foto do escritor: reginaldorodrigues3
    reginaldorodrigues3
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

Evento promovido pelo Sesc reuniu escritores, poetas, música e literatura em homenagem aos 414 anos da capital maranhense e prestou homenagem especial à escritora Arlete Nogueira



São Luís ganhou uma homenagem feita de palavras, lembranças e música. O Teatro Sesc recebeu, na noite desta sexta-feira (4), o Varanda das Letras – São Luís em Versos, Memórias e Canções, encontro que reuniu escritores, poetas, artistas e amantes da literatura para celebrar os 414 anos da capital maranhense, comemorados no próximo dia 8 de setembro.


A proposta transformou diferentes espaços do teatro em ambientes de convivência com a literatura. Na varanda, o público encontrou o Café “Ilha Magnética”, o espaço “Memórias de São Luís”, intervenções e correio literários, exposição de livros, bate-papos e conexões. No palco, a programação contou com intervenção musical de Carol Cunha, declamações, narrações, leituras, poesias inéditas e homenagens.



Mais que uma programação comemorativa, o encontro procurou aproximar autores e leitores e reafirmar a literatura como uma das expressões mais marcantes da identidade de São Luís — cidade historicamente ligada às letras e que carrega o título simbólico de Atenas Brasileira.


A palavra como memória e declaração de amor à cidade


A diretora regional do Sesc no Maranhão, Rutineia Amaral, explicou que a ideia nasceu justamente do desejo de reunir os “artistas da palavra” e abrir o Teatro Sesc para diferentes gêneros e gerações da literatura maranhense.



“A ideia era que a gente promovesse um encontro dos nossos artistas, artistas da palavra, não só da poesia”, destacou.


Para Rutineia, o Varanda das Letras também representa uma declaração coletiva de amor a São Luís. Em sua fala, ela lembrou que esse sentimento ultrapassa o lugar de nascimento e alcança todos aqueles que foram acolhidos pela cidade.


A diretora ressaltou ainda a força social da palavra. Segundo ela, a literatura pode servir à memória, mas também à denúncia, à reivindicação e à construção de uma relação mais cuidadosa dos moradores com São Luís.


“A palavra é aquilo que nós temos para a denúncia, para a reivindicação social, para fazer com que as pessoas amem São Luís e cuidem mais da cidade”, afirmou.


Rutineia encerrou sua participação com a leitura da crônica “As Árvores e a Memória”, de Ney de Barros Bello Filho, escolhida pela relação afetiva do texto com São Luís. A leitura terminou com um chamado aos presentes: “Escritores, público, sejamos sempre artífices da memória de São Luís.”


Arlete Nogueira: uma vida atravessada por São Luís



Um dos momentos mais simbólicos da noite foi a homenagem à escritora Arlete Nogueira da Cruz, que recentemente completou 90 anos e tem sua trajetória profundamente vinculada à literatura e à cultura maranhenses.


Autora de obras como A Parede, Compasso Binário e Litania da Velha, Arlete recebeu a homenagem com a simplicidade que marcou sua fala. Ao Cazumbá, afirmou não se enxergar com a dimensão que muitas vezes lhe é atribuída.


“Eu sou apenas uma escritora. Faço aquilo por vocação, por amor, por necessidade, principalmente por necessidade”, disse.


Ao falar da relação entre sua produção e a capital maranhense, porém, não deixou dúvidas sobre a presença da cidade em sua obra.



“A minha obra toda fala muito de São Luís. O primeiro livro é todo passado em São Luís. Compasso Binário é todo em São Luís. A maioria de tudo é sobre São Luís”, contou.


Arlete lembrou também de sua terra natal, Cantanhede, e do rio Itapecuru, outra referência afetiva presente em seus escritos. Sua participação acabou sintetizando um dos sentidos centrais do Varanda das Letras: a literatura como território onde lugares, pessoas e lembranças permanecem vivos.


Literatura para celebrar os 414 anos



O presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac no Maranhão, Maurício Feijó, destacou a satisfação de participar de uma celebração dedicada à cultura e à literatura no aniversário de São Luís.


Morando há décadas na capital maranhense, Feijó falou da relação construída com a cidade e lembrou nomes que ajudaram a consolidar a tradição literária do Maranhão, de Gonçalves Dias e Bandeira Tribuzi à própria Arlete Nogueira.


Para ele, reunir tantas pessoas em torno da poesia demonstra que a sensibilidade e a produção cultural continuam vivas. “Quem está aqui é porque tem um coração sensível à poesia, à literatura”, resumiu.



Entre versos, livros, café, música, conversas e memórias, o Varanda das Letras mostrou uma São Luís que também pode ser percorrida pelas palavras. Uma cidade contada por quem nasceu nela, por quem chegou depois e decidiu ficar e por escritores que transformaram suas ruas, casarões, ladeiras, marés e personagens em literatura.


Às vésperas dos seus 414 anos, São Luís encontrou no Teatro Sesc uma varanda aberta para a memória. E, por algumas horas, a Ilha do Amor foi também uma ilha de versos — celebrada não apenas pelo que guarda do passado, mas pelas palavras que continuam escrevendo sua história.

 
 
 

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