WTM 2026 expõe fragilidade do Maranhão no turismo internacional: ausência nas rodadas e barreira do idioma travam negócios
- reginaldorodrigues3
- há 20 horas
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Realizada entre os dias 14 e 16 de abril, no Expo Center Norte, em São Paulo, a WTM Latin America 2026 reuniu os principais players do turismo mundial e consolidou-se como o maior ambiente de negócios do setor na América Latina.
A análise a seguir parte de uma vivência direta: o Cazumbá esteve presente no evento, acompanhando de perto as rodadas de negócios e conversando com empresários e agentes de viagem. E o que se viu foi um cenário que merece atenção, especialmente para o Maranhão.

Os números mostram onde o jogo acontece
A edição 2026 da WTM Latin America reuniu:
35.473 participantes de 153 países;
Mais de 9.200 reuniões de negócios realizadas;
Crescimento de 76% no público qualificado, formado por agentes, operadores e compradores;
Aumento de 115% no número de agentes de viagem, ultrapassando 18,5 mil profissionais;
84 Compradores internacionais, das mais diferentes localidades;
05 Empresarios maranhenses sentaram a mesa para negociar seus produtos e atrativos.
Esses números representam milhares de negociações acontecendo simultaneamente. É nesse ambiente que destinos são vendidos, inseridos em catálogos internacionais e passam a receber turistas estrangeiros.

E onde estava o Maranhão?
A presença do Maranhão, especialmente de operadores e agentes locais nas rodadas internacionais, foi considerada extremamente tímida.
Não há evidência de participação estruturada do estado nesses encontros estratégicos, o que, na prática, significa ausência no principal espaço de comercialização do turismo global.
E a lógica é simples:
Quem não participa, não negocia. Quem não negocia, não vende.
O problema não é só presença, é preparo
Além da baixa participação, há um fator ainda mais crítico: o despreparo técnico para atuar no mercado internacional.

Nas rodadas de negócios, não basta estar presente. É preciso:
Negociar em inglês ou espanhol com fluidez;
Dominar a linguagem técnica do turismo;
Apresentar produtos com clareza comercial;
Construir relações com operadores estrangeiros.
Sem domínio de idiomas, o profissional simplesmente não consegue operar nesse ambiente, e acaba excluído das negociações.
Enquanto isso, o mundo vende seus destinos
Outros estados e países chegam preparados:
Equipes capacitadas;
Materiais multilíngues;
Operadores treinados para o mercado global.
O resultado é direto: ocupam espaço, fecham negócios e garantem fluxo turístico.
O Maranhão, por outro lado, segue com participação periférica.
Um paradoxo: potencial global, atuação local
O mais contraditório é que o estado possui alguns dos atrativos mais competitivos do Brasil:
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, Patrimônio Natural da Humanidade;
O Parque Nacional da Chapada das Mesas;
A Rota das Emoções;
Além do conjunto histórico e cultural de São Luís.
São produtos com forte apelo internacional, alinhados ao perfil do turista global.
Mas há um descompasso evidente: o destino tem padrão internacional, mas a atuação comercial ainda é local.
O voo internacional: oportunidade, não solução
A confirmação do voo direto entre São Luís e Lisboa, operado pela TAP Air Portugal, representa um avanço importante na conectividade do estado com a Europa.
Mas é preciso ter clareza: o voo ainda será operado em um futuro próximo, e, mesmo quando iniciar, ele não resolverá sozinho o problema estrutural do turismo internacional no Maranhão.
Sem operadores preparados para negociar com o mercado europeu, sem presença nas rodadas e sem domínio de idiomas, há um risco concreto:
ter o voo, mas não ter o mercado preparado para aproveitá-lo.
O resultado pode ser a subutilização dessa rota, com baixo impacto no turismo receptivo internacional.
Conclusão: o gargalo está nas pessoas
A WTM Latin America 2026 deixou uma mensagem clara:
O problema do Maranhão no turismo internacional não é falta de atrativo. Também não é apenas falta de voo.
O principal gargalo está na baixa participação e na falta de qualificação do trade turístico local, especialmente em ambientes de negociação internacional.
Enquanto agentes e operadores maranhenses não ocuparem esses espaços, e não estiverem preparados para atuar neles, o estado continuará fora do jogo global.
No turismo internacional, não basta ter atrativo.
É preciso saber vendê-lo.
Imagens Ilustrativa/Marcos Rocha/Divulgação








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