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Brasil Biomarket mostra na Feira do Empreendedor que biodiversidade também é oportunidade de negócio

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    reginaldorodrigues3
  • há 2 dias
  • 6 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

Espaço reuniu produtos maranhenses desenvolvidos a partir de insumos da Amazônia e do Cerrado e mostrou como sustentabilidade, inovação e geração de renda podem caminhar juntas



Durante os três dias da Feira do Empreendedor 2026, realizada de 14 a 16 de agosto, no Multicenter Sebrae, em São Luís, o Cazumbá percorreu diferentes espaços do evento, acompanhou experiências, conversou com empreendedores e gestores e colheu pautas que revelam a diversidade de iniciativas apresentadas nesta edição.


Entre os espaços visitados, um chamou atenção pela capacidade de reunir, em um mesmo ambiente, biodiversidade, sustentabilidade, inovação, identidade maranhense e oportunidades de negócios: o Brasil Biomarket, uma vitrine dedicada a produtos da bioeconomia.


Ali, babaçu, buriti, juçara, cupuaçu, mel, abacaxi de Turiaçu, camapu e outros insumos ganharam novas formas e valor agregado em bebidas, alimentos, cosméticos, moda, artesanato e decoração. O Cazumbá conversou com a coordenação do espaço e com empreendedores participantes para entender como essa riqueza natural pode se transformar em renda, abrir mercados e, ao mesmo tempo, contribuir para manter os biomas preservados.


Da COP30 para novos mercados



Segundo Thiago Gatto, coordenador do espaço Brasil Biomarket, a proposta foi estruturada inicialmente para a COP30 e alcançou resultados expressivos.

“A Brasil Biomarket foi um projeto que a gente estruturou para a COP30. Lá, em cerca de 15 dias, vendeu quase R$ 1 milhão. O Sebrae quer abrir mercado para produtos da bioeconomia”, explicou.

Para Gatto, bioeconomia não significa abrir mão da rentabilidade. Ao contrário, a proposta é mostrar que empresas podem crescer e gerar renda utilizando de maneira responsável os recursos naturais.

“São empresas que querem ganhar dinheiro, porque não é pecado, mas fazem isso em harmonia com a natureza, utilizando de forma sustentável os insumos. Aqui nós temos alimentos, bebidas, fármacos, cosméticos, moda, artesanato e decoração”, destacou.

Na Feira do Empreendedor, a seleção privilegiou produtos relacionados aos biomas presentes no Maranhão, embora o projeto tenha potencial para reunir produtos de diferentes biomas brasileiros.


Preservar também pode gerar dinheiro



Uma das mensagens centrais do Biomarket é que conservação ambiental e desenvolvimento econômico podem fazer parte da mesma estratégia.

“Ter produtos de qualidade produzidos com respeito à natureza é uma maneira de gerar valor sem desmatar, sem agredir. Esses produtos têm muito valor agregado. Você acaba gerando mais dinheiro mantendo os biomas em pé do que degradando”, afirmou Thiago.

Nesse processo, o Sebrae atua também na preparação dos pequenos negócios, com programas voltados à sustentabilidade e orientações que envolvem extração, armazenamento, redução de desperdícios, melhor aproveitamento dos insumos e relacionamento com comunidades fornecedoras.


Um dos exemplos citados pelo coordenador é a Syntropia Cosméticos. A empresa passou a pesquisar matérias-primas regionais que anteriormente tinham pouco aproveitamento comercial e, a partir da aproximação com pesquisadores e do incentivo recebido, identificou princípios ativos com potencial para utilização em cosméticos.

“Esses insumos que antes eram desperdiçados passaram a ser absorvidos na produção e agora são produtos com alto valor agregado”, ressaltou.

De Imperatriz, pipocas com sabores dos biomas brasileiros



A empreendedora Maiara Chavez, de Imperatriz, levou ao Biomarket snacks e pipocas gourmet elaborados com ingredientes da Amazônia e do Cerrado, entre eles buriti, babaçu e abóbora.


Para ela, participar do espaço representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade da marca dentro e fora do Maranhão.

“Ficamos muito felizes em ser convidados. Era algo que esperávamos muito, esse reconhecimento e a possibilidade de atingir mais clientes e fazer com que as pessoas conheçam nossos produtos aqui no Maranhão e também no país”, afirmou.

A empreendedora destaca que trabalhar com ingredientes pouco convencionais exigiu desenvolvimento até chegar a produtos capazes de conquistar o consumidor.

“Apesar de serem ingredientes diferentes, conseguimos chegar a um resultado excelente”, disse.

Além das vendas diretas, Maiara vê nas conexões empresariais um dos principais ganhos da participação. “O Biomarket tem auxiliado nos negócios B2B. Para falar de Amazônia, de Cerrado e de Maranhão, aqui foi um ponto-chave.”


Trufas regionais valorizam agricultores maranhenses



Outro exemplo encontrado pelo Cazumbá foi a Docerilha. Fernando Souza apresentou as trufas regionais de cupuaçu e juçara, além de destacar que os insumos utilizados são coletados e produzidos por famílias e agricultores do interior do Maranhão, especialmente dos municípios de Morros e Humberto de Campos.


A empresa trabalha com produtos sem lactose e sem glúten e chegou à feira com expectativas que rapidamente foram superadas pela resposta dos visitantes.


“Nossa expectativa era bem simples, porém os resultados estão indo além do que estávamos almejando. Além do retorno das vendas, estamos tendo um grande feedback nas degustações. Nossa participação está muito além do satisfatório e das nossas expectativas”, comemorou Fernando.


Do mel ao hidromel com abacaxi de Turiaçu



O mel também ganhou espaço como matéria-prima para um produto de maior valor agregado. Érico Lobato, da Dvash, apresentou o hidromel, bebida fermentada produzida a partir do mel.

“O hidromel também é conhecido como vinho de mel. É o mesmo princípio de fermentação do vinho, mas utilizamos o mel no lugar da uva”, explicou.

A empresa trabalha com versões suave e seca, além de uma formulação que incorpora o abacaxi de Turiaçu, reforçando a identidade maranhense do produto.


Segundo Érico, a sustentabilidade começa pela aquisição de mel de produtores locais e pelo cuidado para que a retirada da matéria-prima respeite a capacidade das colmeias.


Para o empreendedor, entretanto, estar no Biomarket significa muito mais do que comercializar algumas garrafas durante a feira.

“A expectativa está relacionada ao B2B, onde conseguimos fechar parcerias e colocar o produto em outros pontos de venda para que ele seja mais reconhecido e fortalecido”, afirmou.

A expectativa da empresa é que as conexões proporcionadas pelo evento contribuam para um crescimento em torno de 30%.


Quando o que era descartado passa a valer dinheiro



A transformação de produtos pouco valorizados ou até descartados em matéria-prima comercial aparece também no trabalho da empreendedora Nadia Moura.


Ela apresentou no Biomarket uma linha de chás gaseificados, sem conservantes, corantes ou aditivos, desenvolvida com ingredientes da Amazônia e do Cerrado. Atualmente, são seis blends que procuram associar sabor, inovação, bem-estar e sustentabilidade.


Entre os ingredientes utilizados estão camapu, cumaru, casca de cacau e outros insumos regionais.


Nadia utiliza o camapu como exemplo de como o conhecimento pode transformar a percepção e o valor econômico de um recurso disponível no território.

“O camapu, no interior do Maranhão, é visto como mato. As pessoas não entendem o valor de mercado. Quando ele entra no universo do chá, passa por uma transformação, inclusive econômica”, explicou.

Outro exemplo está no reaproveitamento da casca do café, que normalmente seria descartada ou destinada à produção de adubo e passa a integrar a composição das bebidas.

“Quando eu chego a uma comunidade e consigo comprar um produto que antes não tinha valor, consigo valorizá-lo e fazer essa roda girar. Isso também é bioeconomia”, afirmou.

A empresa é sediada no Centro de São Luís, enquanto a produção das bebidas ocorre atualmente em São Paulo. Para Nadia, o desenvolvimento dos produtos promove um encontro entre saberes tradicionais e processos contemporâneos.

“A gente traz a ancestralidade ligada à tecnologia”, resumiu.

Vendas imediatas e negócios para o futuro


A aceitação dos produtos pelo público durante a Feira do Empreendedor também serviu como termômetro para o potencial desse mercado. Segundo Thiago Gatto, já no primeiro dia de funcionamento do espaço alguns produtos haviam se esgotado.

“Os consumidores estão percebendo o valor desses produtos e aceitando de uma maneira muito positiva”, avaliou.

A meta do Brasil Biomarket era movimentar aproximadamente R$ 15 mil em vendas ao longo dos três dias da feira. Mas o resultado financeiro imediato representa apenas uma parte da estratégia.


O objetivo maior é aproximar os empreendedores de compradores, distribuidores, estabelecimentos comerciais e potenciais parceiros, ampliando as negociações B2B e criando possibilidades de vendas depois do encerramento do evento.

“Não é só a venda neste momento. Queremos fazer com que esse empreendedor que está expondo e vendendo aqui consiga se conectar com compradores B2B e continue vendendo para além dos três dias da feira”, explicou Thiago.

A riqueza que pode permanecer em pé


Ao percorrer o Brasil Biomarket, o Cazumbá encontrou muito mais que uma prateleira de produtos diferentes. Cada embalagem, bebida, alimento ou cosmético carrega uma cadeia que pode envolver agricultores, extrativistas, comunidades, pesquisadores e pequenos empreendedores.


Do babaçu transformado em novos produtos ao camapu que deixa de ser considerado “mato”; da juçara e do cupuaçu que chegam às trufas ao mel que se transforma em hidromel com abacaxi de Turiaçu, a experiência apresentada na Feira do Empreendedor aponta para uma possibilidade concreta de desenvolvimento econômico baseada naquilo que o Maranhão possui em abundância: biodiversidade, conhecimento, criatividade e identidade territorial.


O desafio agora é fazer com que essas experiências ultrapassem os três dias da feira, ganhem escala, cheguem a novos mercados e ampliem a renda de quem está na origem dessas cadeias produtivas.


Porque a bioeconomia começa a fazer ainda mais sentido quando a floresta, o Cerrado e os demais ambientes naturais deixam de ser vistos apenas como fontes de matéria-prima e passam a ser reconhecidos como patrimônio capaz de gerar valor justamente quando permanecem vivos e preservados.

 
 
 

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