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Caos na entrada e saída de São Luís revolta trade turístico e ameaça imagem do destino

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    reginaldorodrigues3
  • há 7 horas
  • 5 min de leitura

Empresários, meios de hospedagem e instâncias de governança relatam horas de congestionamento na Ponte do Estreito dos Mosquitos; turistas perdem programação e já há visitantes evitando retornar à capital maranhense


Foto: Juvêncio Martins/TV Mirante
Foto: Juvêncio Martins/TV Mirante

O que deveria ser uma operação de trânsito para permitir a realização de serviços necessários na Ponte do Estreito dos Mosquitos transformou-se, neste fim de semana, em um pesadelo para quem precisou entrar ou sair de São Luís pela BR-135. Os reflexos agora chegam com força ao turismo, provocando revolta entre empresários, meios de hospedagem e representantes das Instâncias de Governança Regional.


Há relatos de pessoas que teriam permanecido até sete horas presas em congestionamentos, numa operação de “Pare e Siga” que, para muitos motoristas, passageiros e turistas, acabou parecendo funcionar muito mais no “pare” do que no “siga”.


O problema atingiu caminhoneiros, ônibus intermunicipais e interestaduais, veículos de turismo, moradores e trabalhadores. Há ainda preocupação com situações mais graves, envolvendo ambulâncias e outros serviços que dependem de deslocamento rápido pela única ligação rodoviária da Ilha de São Luís com o continente.


No turismo, entretanto, o prejuízo ganha outra dimensão: não se perde apenas tempo. Perdem-se voos, transfers, passeios, reservas, horários de check-in e check-out e, principalmente, a boa experiência do visitante.


Turistas levam quase nove horas entre São Luís e Barreirinhas


imagem cedida
imagem cedida

Um relato recebido pelo Cazumbá ajuda a dimensionar o problema.


Segundo a informação, um micro-ônibus deixou São Luís às 6 horas da manhã com destino a Barreirinhas, uma das principais portas de entrada para o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.


O veículo somente teria conseguido deixar para trás o trecho do famigerado “Pare e Siga” às 10h55. A chegada a Barreirinhas ocorreu às 14h45.


Foram, portanto, 8 horas e 45 minutos entre a saída de São Luís e a chegada a Barreirinhas.


Mas talvez o dado mais preocupante não esteja no relógio.


Segundo o relato encaminhado ao Cazumbá, depois da experiência enfrentada na BR-135, os turistas não querem retornar a São Luís e estariam tentando seguir viagem para Fortaleza, de onde pretendem retornar aos seus destinos de origem.


Se confirmada essa decisão, temos um exemplo concreto de como um problema de infraestrutura deixa de ser apenas uma questão de trânsito e passa a comprometer a imagem turística do Maranhão.


É o tipo de experiência negativa que nenhuma campanha publicitária consegue apagar facilmente.


IGR Polo Munim publica nota de repúdio



A situação levou a Instância de Governança Regional de Turismo – Polo Munim, juntamente com proprietários de meios de hospedagem da região, a divulgar uma Nota de Repúdio aos transtornos decorrentes das intervenções na Ponte do Estreito dos Mosquitos.


A manifestação aponta os “congestionamentos quilométricos na saída de São Luís” e afirma que a situação vem comprometendo o deslocamento de moradores, trabalhadores e turistas, causando prejuízos aos meios de hospedagem e impactos negativos ao turismo regional.


A entidade reconhece a importância da obra, mas cobra medidas urgentes para garantir maior fluidez ao trânsito durante a execução dos serviços, reduzindo os impactos sobre a população, os visitantes e a economia.


A manifestação do Polo Munim se soma às reclamações que circulam entre empresários e profissionais do trade turístico diante das dificuldades enfrentadas na principal porta de entrada e saída terrestre de São Luís.


DNIT havia alertado sobre o Pare e Siga


imagem cedidas
imagem cedidas

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) publicou, às 16h20 do dia 18 de agosto, comunicado informando que a Ponte do Estreito dos Mosquitos teria interdição parcial para instalação de novas juntas de dilatação.


Segundo o cronograma oficial, o sistema de Pare e Siga funcionaria no sábado (22), das 7h às 21h, e no domingo (23), das 7h às 12h. A operação está prevista novamente para o próximo fim de semana: sábado (29), das 7h às 21h, e domingo (30), das 7h às 12h. O próprio DNIT reconheceu no comunicado que a intervenção poderia provocar retenções e aumento do tempo de deslocamento.


A situação da ponte, entretanto, não começou agora. Em abril, o DNIT determinou a interdição da estrutura no sentido de entrada de São Luís, desviando o fluxo para a ponte no sentido contrário, após monitoramento técnico apontar a necessidade preventiva de restringir o tráfego. A estrutura foi construída na década de 1960.


Em maio, o próprio órgão anunciou que iria reconstruir a Ponte do Estreito dos Mosquitos, informando que já realizava estudos para a contratação da nova estrutura.


A obra é necessária. O caos, não.


Ninguém questiona a necessidade de manutenção, segurança ou mesmo reconstrução de uma ponte estratégica como a do Estreito dos Mosquitos.


A questão que precisa ser respondida é outra: uma intervenção previsível precisa necessariamente produzir horas de congestionamento e praticamente paralisar a entrada e a saída de uma capital?

Se existe programação prévia dos serviços, também precisa existir planejamento de contingência compatível com a importância da BR-135.


Estamos falando da principal ligação terrestre de São Luís com o restante do Maranhão e do país. É por ali que circulam alimentos, combustíveis, mercadorias, trabalhadores, ônibus, caminhões, ambulâncias e milhares de pessoas.


E é também por ali que passa boa parte dos turistas que chegam a São Luís e seguem para destinos como Barreirinhas e os Lençóis Maranhenses.


Quem paga essa conta?


Essa é uma pergunta que precisa ser feita.


Quem paga a passagem aérea perdida pelo turista que não conseguiu chegar ao aeroporto? Quem responde pela diária perdida, pelo passeio cancelado, pelo transfer que não conseguiu cumprir seu horário? Quem arca com o prejuízo do caminhoneiro parado durante horas? E os ônibus cheios de passageiros? E os hotéis que organizam check-ins e check-outs com base em horários previamente estabelecidos?


E os operadores e agências que precisam explicar a seus clientes que um percurso programado para poucas horas se transformou numa viagem de praticamente um dia?


Há ainda uma conta muito mais difícil de calcular: o prejuízo à reputação do destino.


O Maranhão vive um momento de grande exposição turística. São Luís, os Lençóis Maranhenses e a Rota das Emoções vêm conquistando espaço no mercado nacional e internacional. Uma experiência dessa natureza pode transformar um visitante encantado em alguém que simplesmente diz aos amigos: “não volte por São Luís”.


E aí o prejuízo deixa de ser de um hotel, de uma agência ou de um turista. Passa a ser de todo o destino.


“Desta terra não quero levar nem o pó”


A situação chega a ganhar contornos de humor amargo.


No relato encaminhado ao Cazumbá, depois de informar que os turistas estariam procurando uma alternativa para seguir até Fortaleza em vez de retornar a São Luís, o interlocutor lembrou, em tom de ironia, uma das passagens popularizadas pelo filme “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil”, na qual a personagem demonstra sua aversão ao Brasil ao partir de volta para Portugal.


A brincadeira provoca risos, mas deveria provocar também preocupação.


Quando o turista começa a procurar uma rota para não precisar voltar ao destino por onde chegou, alguma coisa está muito errada.


A Ponte do Estreito dos Mosquitos é hoje muito mais do que um problema de engenharia. Tornou-se um gargalo econômico, social e turístico.


A obra precisa ser realizada. A segurança precisa ser garantida.


Mas São Luís não pode continuar pagando o preço de ficar praticamente isolada por terra toda vez que uma intervenção é realizada na ponte.


E, principalmente, o Maranhão não pode permitir que o visitante leve de volta para casa, em vez das boas lembranças de São Luís e dos Lençóis Maranhenses, a memória de sete horas parado em um engarrafamento.

 
 
 

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