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Guajajartes transforma ancestralidade indígena em moda, empreendedorismo e geração de renda na Feira do Empreendedor

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    reginaldorodrigues3
  • há 17 horas
  • 3 min de leitura

Coletivo formado por mulheres indígenas de Grajaú leva saberes ancestrais, identidade e peças autorais para a passarela e para o espaço de exposição do evento, em São Luís


A ancestralidade indígena ganhou espaço e passarela neste sábado, 15 de agosto, durante a 12ª Feira do Empreendedor, realizada no Multicenter Negócios e Eventos, em São Luís. O desfile de moda ancestral indígena integrou a programação da arena de ESG, Turismo e Economia Criativa e apresentou ao público criações que unem tradição, identidade, natureza e empreendedorismo.


O grupo Guajajartes, formado por mulheres indígenas artesãs dos territórios Morro Branco e Bacurizinho, no município de Grajaú, apresentou ao público peças que unem tradição, identidade, natureza e empreendedorismo.


À frente do grupo está Regina Vitória Guajajara, que carrega uma história familiar profundamente ligada ao artesanato. Mais do que uma atividade econômica, o trabalho representa a continuidade de conhecimentos transmitidos entre gerações.



“Eu já venho de uma família de artesãos. Meu avô percorria vários lugares do Brasil com a venda de artesanatos”, conta Regina. Segundo ela, o avô não comercializava apenas aquilo que era produzido pela própria família: reunia trabalhos de diferentes artesãos da comunidade e os levava consigo em suas viagens.


Com a morte dele, em 2009, esse movimento perdeu força. Anos depois, diante das dificuldades enfrentadas durante o período da pandemia, Regina encontrou no ambiente digital uma alternativa para retomar a comercialização e dar maior visibilidade à produção indígena.



A experiência do avô também inspirou o modelo coletivo adotado atualmente pela Guajajartes. Em vez de concentrar o trabalho em uma única artesã ou família, a iniciativa agrega a produção de diferentes mulheres indígenas, ampliando as possibilidades de comercialização e geração de renda.


Natureza que vira inspiração


Nas criações, a identidade indígena não aparece como mero elemento estético. Ela está relacionada ao território, aos conhecimentos tradicionais e à maneira como essas mulheres enxergam o mundo ao seu redor.

“Em tudo em volta do meu povo eu encontro inspiração. Nosso foco na Guajajartes é a natureza. A gente leva a identidade da natureza”, explica Regina.

Essa relação ficou evidente durante o desfile realizado na Feira do Empreendedor. As peças levaram à passarela elementos da estética e da ancestralidade indígena, transformando o momento em uma vitrine para um trabalho que ultrapassa o conceito convencional de moda.


O desfile reuniu também participantes de outros territórios e municípios, entre eles indígenas de Arame. Segundo Regina, essa aproximação foi possível com a articulação do Sebrae Maranhão, que ajudou a estabelecer o contato entre artesãos e possibilitou a participação no evento.



Para Regina, trabalhar com criação é algo que está profundamente associado à própria formação cultural dos povos indígenas.

“O indígena já nasce fazendo arte”, resume.

Da aldeia para outras passarelas



A participação em São Luís não é a primeira experiência da Guajajartes com desfiles. O grupo já apresentou suas criações em Belém, no Pará, onde encontrou espaços ligados à moda e à valorização da produção indígena.


Agora, a presença na Feira do Empreendedor abre uma nova vitrine dentro do próprio Maranhão.


Além do desfile, o grupo ganhou um espaço para exposição e comercialização de seus produtos durante a feira. Assim, o público pode conhecer de perto as peças e também adquiri-las, fazendo com que a visibilidade cultural se transforme em oportunidade concreta de negócios.


É justamente nesse encontro entre tradição e mercado que a experiência da Guajajartes ganha uma dimensão ainda maior. O artesanato deixa de ser visto apenas como lembrança ou objeto decorativo e passa a ocupar espaços de moda, economia criativa e empreendedorismo, sem perder a conexão com suas origens.


Empreender sem abandonar as raízes



A trajetória de Regina Vitória Guajajara mostra como conhecimentos transmitidos dentro das comunidades podem dialogar com novas ferramentas de comercialização e novos mercados.


Do avô que percorria diferentes lugares levando consigo a produção da comunidade à geração que utiliza redes sociais, lojas virtuais, feiras e passarelas, mudou a forma de chegar ao consumidor, mas permanece a essência coletiva do trabalho.


Na Feira do Empreendedor, essa história ganha significado especial: mulheres indígenas mostram que empreender também pode significar preservar, compartilhar e dar valor econômico aos conhecimentos ancestrais.


Mais do que apresentar peças, a Guajajartes leva para a passarela um território, uma memória e uma forma própria de compreender a relação entre gente e natureza.


E, ao transformar essa herança em oportunidade de renda e novos negócios, essas mulheres demonstram que tradição e inovação não precisam caminhar em sentidos opostos. Pelo contrário: quando a ancestralidade encontra espaço, reconhecimento e mercado, ela também pode apontar caminhos para o futuro.

 
 
 

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