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História do domingo: 54 motivos

O amor não é para os fracos


Para ser uma pessoa romântica, é preciso ter muita esperança. e quando você encontra alguém a quem ama, isso se parece um pouco com ter esperança.


Pra começar o domingo feliz e no clima da história, a dica é escutar essa musica aqui


O amor é horrível

“O amor é horrível. Horrível. É doloroso. É assustador. Faz com que você duvide de si mesmo, se julgue e se distancie das outras pessoas na sua vida. Ele te torna egoísta, esquisito, te deixa obcecado com o seu cabelo, te faz cruel, te faz dizer e fazer coisas que você nunca pensou que faria. É tudo o que qualquer um de nós quer, e é um inferno quando finalmente conseguimos. Então, não é de se admirar que o amor seja algo que não queiramos fazer sozinhos.
Eu fui ensinado que, se nascemos já com amor, então o ponto da vida é escolher o lugar certo para depositá-lo. As pessoas falam muito sobre isso, sobre “parecer certo”, que “quando parece certo é fácil”. Mas, não tenho certeza se isso é verdade. É preciso muita força para saber o que é certo.
E o amor não é coisa para os fracos. Para ser uma pessoa romântica é preciso ter muita esperança. Eu acho que o que eles querem dizer com isso é: quando você encontra alguém a quem ama, isso se parece um pouco com ter esperança.”

Esse monólogo aparece na segunda temporada do seriado Fleabag, criado por Phoebe Waller‑Bridge e lançado em março de 2019 pela BBC.


Após acompanharmos as aventuras e desventuras da protagonista na primeira temporada, agora vemos uma mulher que anseia por conexão — em um mundo que parece conspirar contra a sua felicidade.


Falando em falta de conexão... O monólogo citado difere de todas as outras descrições de amor que geralmente são feitas.


Ele condensa, de maneira universal, a ideia de que o amor é uma bênção e um desafio. Em vez de apresentá-lo como um conto de fadas, mostra-o como uma força capaz de nos transformar — para melhor e para pior.


O amor, aqui, não é só alegria: é também ansiedade, dúvida, egoísmo e até crueldade. Por isso, estamos sempre oscilando entre a vontade de nos entregar completamente e o medo de nos perder no processo.


Frases como “quando parece certo é fácil” nos afastam de ciladas, mas trazem uma simplificação perigosa. Elas sugerem que existe um sinal claro — um estalo, um “clique” — que nos liberta da confusão e dá início a um amor sem resistência.


• Mas, como o autor bem disse, discernir o que “parece certo” é, na verdade, uma tarefa complexa.


Se abrir para o amor significa abrir mão do controle, expor falhas e lidar com expectativas não atendidas. Longe de ser um estado passivo de entrega, amar é lidar ativamente com nossas inseguranças.


Ainda assim, essa entrega é também o que dá sentido à vida. Depositar nossa afeição na pessoa certa é, para a protagonista de Fleabag, quase uma tarefa existencial.


Amar exige coragem para errar, enfrentar o vazio e acreditar que, mesmo com toda a dor, vale a pena tentar. Como já dizia Valter Hugo Mãe, “o amor é um problema, mas a pessoa amada precisa ser uma solução.


É por isso que, “quando você encontra alguém a quem ama, isso se parece um pouco com ter esperança.” É essa esperança — tênue, resiliente, indomável — que faz do amor o mais belo dos riscos.


54 motivos

(Baseado em uma história real)

A mãe da Alice, Eusana, passou poucas e boas com ela. Sua primeira filha, logo na primeira experiência de quem ainda era caloura na escola da maternidade.


• Quando Alice aprendeu a falar, dizia que Eusana não era sua mãe. Batia, gritava, respondia.


Ela fazia um filme de terror na vida real — e não está exagerando: seu pai tem até gravações para comprovar, porque sempre registrava tudo. Foi assim até ela completar 14 anos.


Alice não sabe como sua mãe conseguiu e não desistiu. Na verdade, ela acha que é coisa de mãe: amar incondicionalmente e perdoar antes mesmo de escutar um pedido de perdão.


É claro que a rebeldia da Alice ia mudando a cada fase, mas ela diz que, até os 14 anos, testou toda a paciência que sua mãe poderia ter — sempre descontando sua raiva nela.


• E o pior de tudo: Eusana só devolvia com amor ou silêncio. Ela nunca bateu na Alice.


Na adolescência, Alice começou a julgar muito a mãe. Tudo que ela fazia era errado; Alice queria consertar o seu jeito de ser.


A única coisa que a fez parar foi um dia dentro do carro, com seu namorado da época. Ele ainda não conhecia esse lado da Alice, que só quem convivia dentro de casa conhecia.


Ela gritou com sua mãe, e ele ficou tão assustado que disse não reconhecer aquela pessoa. Saiu de lá chorando, desapontado. A verdade é que Alice sabia que ele tinha razão.


Quando brigava com sua mãe, nem ela mesma se reconhecia. Momentos depois, já estava completamente arrependida e com raiva de si mesma por ter feito isso com quem lhe deu a vida.


• Mas não adiantava. Depois de um tempo, Alice fazia a mesma coisa, sem controle.


Ela não sabe muito bem, mas ousa dizer que a briga que esse namorado presenciou foi uma bênção. Foi a partir dela que a mudança começou a acontecer. Um olhar de fora fez Alice perceber que não fazia sentido agir daquela maneira com sua mãe.


Ela lembra muito bem dele dizendo: “É inaceitável faltar com respeito a quem nunca lhe deixou faltar nada. Muito pelo contrário, lhe dá tudo e mais um pouco.


Foi aí que começou a mudança, bem gradual. Alice sempre soube, viu e reconheceu a imensa potência da sua mãe — e isso ela nunca deixou de dizer. Após as brigas, falava o quanto a amava e a admirava.


Contudo, continuava a repreender suas atitudes. Dizia que ela estava fazendo errado, que trabalhava demais, que se preocupava demais com os outros. No fundo, Alice estava se achando maior e melhor que sua mãe — invertendo a ordem.


• Por amor, acreditava que precisava ajudá-la a melhorar, sendo que, no fundo, isso não é amor, mas sim julgamento.


Foi preciso escutar da sua terapeuta: “No lugar da sua mãe, com toda a história de vida dela e como ela foi criada, você faria melhor?” Alice se calou. Sabia que não faria nem metade.


E assim, aos poucos, com muita terapia, estudos e autoconhecimento, ela foi aprendendo a aceitar e honrar, de verdade, a mãe que tem — agora, não só nas palavras, mas também na postura.


Todos os dias, Alice fecha os olhos e reverencia Eusana em seu pensamento. Alice é porque sua mãe é. Se ela aceita sua mãe, ela se aceita — e tudo em sua vida flui com mais facilidade.


Mas foi muito amor que ela recebeu — e que, por tanto tempo, não soube valorizar. Alice se sente em dívida, querendo retribuir tudo, sem nem ter merecido tanto.


Foi nessa tentativa de mostrar para Eusana o quanto ela é extraordinária que, em um Dia das Mães, Alice criou um quadro com 54 motivos que fazem dela a pessoa mais incrível do mundo.


• Cada frase vinha colada em um Ferrero Rocher, o chocolate favorito da Eusana. A cada bombom que ela abria, mais um motivo era acrescentado ao quadro.


O chocolate e as frases de amor eram doses de felicidade para seus dias mais borocoxôs. Alice diz que nunca a viu tão feliz com um presente feito "só" de palavras.


Eusana deixa o quadro completo em seu consultório e sempre mostra para os pacientes. É uma obra de arte. Como ela mesma diz: "essa é a obra mais cara que existe, e ninguém pode comprar — sorte a minha ter ganhado."


Ainda assim, Alice se sentia em dívida. Achava que nunca conseguiria retribuir todo o amor que ganhou. Até que, um dia, sua mãe disse:


“Filha, é impossível retribuir todo esse amor. Só quando você for mãe vai entender. Eu não quero o seu troco; quero que você pegue toda essa conta e faça algo muito bom com ela, com a sua vida: passe adiante, crie sua família, seja feliz, tenha sucesso. É assim que você pode chegar perto de me "pagar". Mas fica tranquila: você nunca estará devendo a quem nunca te pediu para pagar.”


Texto e imagens: The stories/Reprodução

 
 
 

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