História do domingo: Eu só penso em você
- reginaldorodrigues3
- 6 de jul. de 2025
- 4 min de leitura
Nosso sonho
Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.
Pra começar a ler a edição no clima da história, tem que dar play nessa música aqui. 🥹
Morangos Silvestres


A citação é do filme Morangos Silvestres, um dos mais emblemáticos do diretor Ingmar Bergman.
A trama acompanha o professor Isak Borg, um médico idoso que viaja de carro até uma universidade onde receberá uma homenagem.
Durante o percurso, ele atravessa não apenas paisagens reais, mas também as paisagens de sua própria consciência, revisitando sonhos, lembranças da juventude e momentos que marcaram sua existência.
Esses sonhos não são apenas sombras do que passou, mas chamados silenciosos para aquilo que poderia ter sido. Escolhas não feitas, amores não vividos e palavras não ditas.
🍓 Os morangos silvestres do título simbolizam tudo aquilo que deixamos para trás ao nos afastarmos do que realmente importa: os afetos verdadeiros, a simplicidade e o amor.
• Bergman nos faz perceber que, ao sufocar nossos desejos mais autênticos, tornamo-nos estranhos para nós mesmos.
No final da estrada, percebemos que escutar o coração e seguir os sonhos — mesmo que pareçam tolos ou difíceis — é muito mais importante do que atender às expectativas da sociedade.
Finalizando com as palavras de Fernando Pessoa: “Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.”
Eu só penso em você
(Baseado em uma história real)

A história da Maria Clara e do Felipe começou em 2018 — na verdade, um pouco antes, pois estudaram na mesma escola, mas não eram amigos.
Maria o conhecia como “o menino do casaco do Superman”, mas nunca soube seu nome.
Até que, no final de 2017 — quando eles já estavam na faculdade —, um ex-professor dos tempos de ensino médio convidou alguns alunos para uma feira de profissões.
Nessa ocasião, pela primeira vez, os dois realmente conversaram. Ela cursava jornalismo; ele cursava audiovisual. Trocaram cartões de visita, WhatsApp e Instagram.
• Em 2018, Maria Clara terminou um relacionamento conturbado pouco antes do Carnaval. Disse que ficaria em casa, mas sua melhor amiga a convenceu de ir a uma festa à fantasia.
À primeira vista, Maria não conhecia ninguém na festa, mas, como o destino é arteiro, adivinha quem foi a primeira pessoa com quem ela esbarrou? Sim, o Felipe.
A partir dessa coincidência, nasceu uma grande amizade. Os dois foram se conhecendo e trocando confidências — até passarem horas à fio desabafando e conversando sobre tudo.
• O primeiro beijo demorou um pouco, coincidindo com a estreia do Brasil na Copa de 2018.
Eles se entendiam, se gostavam e se amavam. Felipe acreditou na Maria como profissional bem antes dela mesma. Maria acreditou no Felipe como profissional bem antes dele mesmo.
Ela passou a trabalhar em um jornal, e ele se tornou um filmmaker brilhante — um dos melhores do Brasil. O relacionamento dos dois teve muita história para contar, mas muita mesmo.
Com Felipe, Maria sentia que podia ser ela mesma, sem medo. Eles se comunicavam pelo pensamento. Ele pensava, ela dizia.
Porém, eles eram muito jovens. Vinte anos, a vida começando — e alguns problemas de adulto também.
• Terminaram em 11 de novembro de 2019. Foi a última vez que se viram ou tiveram qualquer notícia um do outro.
Nessa última conversa, Felipe disse: "Se um dia o nosso tempo chegar, vai dar certo. Em algum lugar, já deu. Mas vive, tá? A gente tem que viver. Se for nosso, volta."
Os anos passaram. Maria teve outros relacionamentos e viveu bastante. Morou fora do Brasil, conheceu muitas pessoas e encontrou alguém que jurava ser a pessoa certa. Ficou noiva.
Felipe conheceu uma pessoa, casou de papel passado e ascendeu na carreira. Os dois seguiram, mas, como tudo vira bagagem, guardaram esse amor em um potinho bem guardado.
Maria pensava que seu relacionamento era perfeito, até que a realidade bateu à porta. Teve que lidar com questões que, para ela, eram inegociáveis — e acabou se divorciando.
Não foi fácil — e ainda não é. Em suas palavras, ninguém casa pensando em separar.
• E foi em um desses dias difíceis que ela soube de uma notícia: Felipe também se divorciou.
Os dois retomaram contato. Passando por momentos de vida semelhantes, eles conversaram e se acolheram bastante. Relembraram aquela amizade que ficou perdida no memória.
Algumas semanas depois, Felipe convidou Maria para tomar uma cerveja. Almoçaram em um restaurante com uma das vistas mais bonitas do Rio de Janeiro. Ela mal percebeu o tempo passar.
Resolveram estender o encontro na Feira da Glória e falaram coisas que ficaram engasgadas nesses últimos 6 anos. Como da primeira que vez que saíram, ele a puxou pra dançar.
Em um dado momento, Felipe disse: Reparou que a gente está vivendo o estalo do Thanos? (Sim, do Avengers). Maria respondeu que sim: talvez a vida esteja de volta ao seu devido lugar, não é?
• Felipe concordou, e eles se beijaram. Maria sentiu-se como se tivesse 20 anos de novo.
Mas, ao mesmo tempo, a vida não era mais tão simples assim. Dois recém-divorciados, muitas cicatrizes, dúvidas e contas a pagar.
No final da noite, ela disse: Amanhã vamos esquecer isso, vai ter sido só um sonho. Mas, assim que acordou, ele olhou nos seus olhos e garantiu que lembrava de tudo. Era realidade.
"E o que a gente faz com isso? Eu te esqueço? Te espero? A gente finge que nunca aconteceu?" Felipe disse a Maria que poderia esperá-la. Sem pressa. No tempo dos dois. Segredo de justiça.
Nos últimos dias, Maria não para de escutar "Pelo Tempo Que Durar", da Marisa Monte. De alguma forma, é o que a mantém conectada a essa história.
E o que virá depois? Nenhum dos dois sabe dizer. Mas, pelo poder do reencontro, Maria cita Marisa Monte: Nada vai permanecer no estado em que está. Eu só penso em ver você. Eu só quero te encontrar.
Texto e imagens: The stories/Reprodução












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