História do domingo: “Vou deixaaaar”
- reginaldorodrigues3
- 18 de mai. de 2025
- 5 min de leitura
O acaso é aliado
"Se a felicidade depende de nossas escolhas, é da sorte a última palavra."
Pra começar o domingo no clima da nossa história de amor, a dica é dar o play nessa música deliciosa. 🧸
Poder de escolha

"Independência nada
mais é do que ter
poder de escolha.
Conceder-se a
liberdade de ir e vir,
atendendo suas
necessidades e
vontades próprias,
mas sem dispensar
a magia de se viver
um grande amor.
Independência não é
sinônimo de solidão.
É sinônimo de
honestidade: estou
onde quero, com
quem quero e porque
quero".
(Martha Medeiros)
O trecho é de Martha Medeiros, mas casa bem com o pensamento do alemão Johann Goethe, que diz: “Onde se deve procurar a liberdade é nos sentimentos. Esses é que são a essência viva da alma.”
Liberdade não é necessariamente estar só — e nem acompanhado. Liberdade é ser fiel ao que sentimos.
Ao dizer que independência é sinônimo de honestidade, Martha Medeiros mostra que ser independente é conseguir escolher por si mesmo — seja qual for a escolha.
Isso reforça que ser independente não significa rejeitar vínculos, mas sim escolhê-los livremente, atendendo às suas necessidades e vontades próprias.
• Ser independente é ter o dom da escolha nas mãos e o coração livre para decidir onde ficar, com quem estar e por que permanecer.
Viver com liberdade é viver com verdade. É reconhecer suas próprias vontades sem ignorar as do outro. É dançar no próprio ritmo, sem medo de, vez ou outra, encontrar alguém cuja música combine com a sua.
Ser livre permite que você largue o emprego e sair para dar uma volta ao mundo — ou largar o mundo para se dedicar a um emprego. Liberdade pode ser casar aos 22 ou se divorciar aos 40.
Há quem diga que ser livre é viver solto no mundo, mas assumir um compromisso não seria um exercício de liberdade?
No final das contas, você pode viver como bem entender — só não deve deixar que ninguém defina o que é ser livre para você. Como já dizia Clarice Lispector: “Somos livres, e este é o inferno.”
“Vou deixaaaar”
(Baseado em uma história real)

Rafaela e Pedro se conheceram em 2016, em uma festa universitária — mais especificamente, nos Jogos Jurídicos.
• Ela foi com três amigas solteiras que, assim como ela, queriam aproveitar a vida: beijar na boca, farrear e paquerar.
Rafaela encontrou Pedro no primeiro dia de festa. Bem cara de pau, ele gritou: “Olha ali, é a Marina Ruy Barbosa???” Ela virou-se para trás e deu um tchauzinho.
Um tempo depois, um amigo em comum os apresentou “formalmente”. Pedro foi direto na investida, mas Rafaela não teve muito interesse. Não quis ficar com ele uma, duas, três vezes.
Enrolou com todas as desculpas possíveis até que, na quarta (ou terceira?), sua amiga disse: “Deixa de ser boba, ele é um gato”. Rafaela achou razoável e resolveu seguir o conselho.
Os dois ficaram com outras pessoas ao longo dos Jogos Jurídicos, mas acabavam se esbarrando no final das festas — e, sempre que isso acontecia, se beijavam novamente.
• Pedro pegou o telefone da Rafa e mandou uma mensagem assim que chegou em casa. “Sem querer”, passaram a se falar todos os dias — o dia todo.
Rafaela diz que, desde o início, as personalidades deles se encaixaram. Pedro é brincalhão, divertido, espirituoso e sorridente. Com ele, ela experimentou algo inédito: abertura para conversar sobre tudo.
Passado, expectativas para o futuro, visão de mundo; personalidade, gostos, defeitos e qualidades. A troca sempre foi leve e fluida — como entre dois bons e velhos amigos.
Ela tinha acabado de ficar solteira, e ele dizia que “não acreditava no rótulo de namoro.” Ela falava que precisava desse rótulo, mas que não queria namorar tão cedo.
Foi nessa negação que eles continuaram juntos. Negavam, mas saíam todo fim de semana. Negavam, mas não beijavam mais ninguém. Conheceram todos os amigos uns dos outros.
• Em 2017, foram ao Festival Planeta Brasil, e o último show foi do Skank. Na música “Vou Deixar”, Pedro colocou Rafa nos ombros — sem que ela pedisse.
Ela lembra de abrir os braços e cantar a plenos pulmões, enquanto sentia uma alegria muito forte por compartilhar aquele momento com ele. Tudo era novo — e muito gostoso de sentir.
Alguns meses depois, em um passeio despretensioso de quadriciclo na fazenda, Rafaela lembra de olhar para Pedro e pensar: “Nossa, eu amo esse menino.”
Na mesma hora, sentiu que estava ferrada, pois ele dizia não acreditar em namoro. Entrou em um impasse interno, mas decidiu seguir em frente. Julho seria seu limite.
Mas foi no final de junho, também na fazenda, que ele a surpreendeu com um “eu te amo, Rafaela.” Ela ficou tão em choque que não conseguiu responder. Aquele era seu pedido de namoro.
• Afinal, quem é que ama outra pessoa e não quer oficializar o relacionamento com ela? Esse foi seu pensamento.
E assim estava feito. Depois do primeiro “eu te amo”, Pedro não parou mais. Toda vez que se viam, ele deixava claro que a amava — e que tinha encontrado nela tudo o que sempre quis.
O pedido de namoro foi engraçado e nada romântico, mas era apenas uma formalidade. Eles já sabiam. Era para ser.
Oito anos depois, eles continuam do mesmo jeito: divertidos, festeiros, cachaceiros, amigos e apaixonados. Mesmo após tanto tempo, para Rafa a paixão só cresce.
Ela se sente segura com Pedro. Diz que ele é uma pedra: forte, pesada, constante e protetora. A parceria entre os dois a fez crescer e enfrentar vários desafios da vida — inclusive no cenário profissional.
• Com Pedro, Rafaela também aprendeu que transparência e honestidade são as chaves da confiança.
Ele nunca teve medo de contar para ela sobre o passado, sobre quem já fez parte da sua vida — e isso mostrou que passado é passado. Fica lá.
Foi com ele que ela aprendeu a falar tudo que a incomoda e a deixa chateada. Antes, tinha o terrível hábito de guardar tudo para si mesma. Hoje, sabe que sempre será acolhida.
Em 2017, ele a pediu em casamento pela primeira vez. Um pedido surpresa, com tom de verdade, no meio das declarações que fazia — o que tornou a visão de futuro ainda mais nítida.
O anel oficial de noivado chegou sete anos depois, em junho de 2024. Foi como Rafa sempre sonhou: simples, em casa, só os dois.
O casamento foi na semana passada, como uma celebração da escolha feita lá no início — e ao longo de todos esses anos. Uma festa animada e feliz, repleta de amigos e pessoas queridas.
• No final dos seus votos — e depois de algumas lágrimas — Pedro disse: “Amor é um ato de vontade.”
“Amar, para mim, não é acaso, nem impulso. É escolha. É racional. É acordar todos os dias, olhar para você e, em plena consciência, decidir de novo: eu quero estar com você. Eu escolho você. Eu amo você.”
Texto e imagens: The stories/Reprodução












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