São João do Maranhão ocupa Belo Horizonte e São Paulo em ofensiva para atrair turistas e fortalecer destino junino
- reginaldorodrigues3
- há 21 horas
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Com ações voltadas ao público final e ao trade turístico, estratégia do Governo do Maranhão aposta na força da cultura popular para ampliar fluxo de visitantes e movimentar a economia durante o período junino

O Governo do Maranhão intensificou a promoção nacional do São João maranhense com uma ampla caravana cultural e turística que vem percorrendo Belo Horizonte e São Paulo em uma estratégia que mistura cultura popular, marketing territorial e promoção comercial do destino Maranhão.
A ação reúne grupos tradicionais como o Cacuriá Balaio de Rosas, o Bumba Meu Boi de Morros, que em 2026 completa 50 anos de existência e o Bumba Meu Boi dos Sonhos, além de equipes técnicas, representantes institucionais e profissionais ligados ao turismo.

A caravana é composta por aproximadamente 100 pessoas entre brincantes, músicos, produção, técnicos, equipe de comunicação, logística e representantes do trade turístico maranhense.
Em Belo Horizonte, a programação aconteceu no tradicional Mercadão de BH, considerado um dos espaços turísticos e gastronômicos mais visitados da capital mineira. Já em São Paulo, as apresentações passaram pelo bairro da Liberdade, pelo Centro de Tradições Nordestinas (CTN), pelo Parque Ibirapuera, e seguem nesta segunda-feira (04) com ações na Avenida Paulista, um dos principais centros econômicos e turísticos do país.

À noite, a programação ganha um perfil mais estratégico e comercial com uma grande apresentação voltada ao trade turístico paulista, reunindo operadores, agentes de viagens e profissionais responsáveis pela comercialização de destinos turísticos.
Segundo a secretária de Estado do Turismo, Socorro Araújo, a estratégia tem foco direto na ampliação do fluxo turístico para o Maranhão.

“Os objetivos é divulgar o Maranhão, promover o Maranhão nos principais destinos e destinos emissores de turistas. São Paulo é o maior emissor de turistas para o Maranhão e Belo Horizonte é o terceiro emissor. Então, nós estamos querendo levar um maior fluxo de turistas para o Maranhão”, afirmou.
A secretária destacou ainda que as ações realizadas em São Paulo acabam alcançando proporção nacional e até internacional.

“Quando a gente vem fazer uma promoção em São Paulo, a gente não está divulgando São João em São Paulo. Nós estamos divulgando São João para o Brasil e para o mundo, porque São Paulo é o grande centro econômico do país e aqui circulam pessoas do mundo inteiro”, pontuou.
Em Belo Horizonte, a proposta foi trabalhar diretamente o público final, dentro da estratégia B2C: Business to Consumer, aproximando os turistas da experiência cultural maranhense.

“Em Belo Horizonte foi muito bom porque nós trabalhamos com o público final, tentando levar as pessoas que estavam visitando o Mercadão. E o Mercadão é um espaço turístico, com visitantes de outros estados também. Então você divulga para Minas e para outros estados ao mesmo tempo”, explicou.
A estratégia do Maranhão atua em duas frentes simultâneas.
A primeira delas é justamente o B2C, focado no consumidor final. São apresentações em espaços públicos e altamente movimentados, pensadas para despertar desejo de viagem e aproximar o turista da cultura maranhense.

O objetivo é transformar experiência cultural em motivação de viagem.
Ao levar o som das orquestras/matracas, as indumentárias do bumba-meu-boi e a energia do São João para locais como Liberdade, CTN e Avenida Paulista, o Maranhão promove uma espécie de “imersão cultural” fora do estado.
Cada apresentação gera impacto presencial e também digital, com fotos, vídeos e compartilhamentos espontâneos nas redes sociais.

A segunda frente é o B2B, Business to Business, focado na relação comercial com agentes e operadores de turismo.
É justamente nesse segmento que ocorre o encontro desta noite em São Paulo, reunindo profissionais responsáveis pela venda de pacotes e roteiros turísticos para o Maranhão.
“À noite nós vamos encontrar todos os operadores e agentes de viagens que trabalham com o Maranhão e outros interessados em comercializar o destino. Estamos abrindo novas possibilidades e novos negócios”, afirmou Socorro Araújo.
Quanto custa uma operação desse porte?

Embora o Governo do Maranhão não tenha divulgado oficialmente os valores da caravana, o Cazumbá estima que uma operação promocional com aproximadamente 100 pessoas, envolvendo deslocamentos interestaduais, apresentações culturais, estrutura técnica e ações promocionais, possa variar entre R$ 800 mil e R$ 2 milhões.
Nesse cálculo entram despesas como:
Passagens aéreas;
Hospedagem;
Alimentação;
Transporte terrestre;
Cachês culturais;
Equipes técnicas;
Estrutura de som e iluminação;
Produção audiovisual;
Comunicação;
Assessoria de imprensa;
Material promocional;
Logística de figurinos e instrumentos.
Outros
A secretária Socorro Araújo classificou a ação como investimento estratégico para o desenvolvimento econômico do Maranhão.
“Isso aqui é um investimento que o governador Carlos Brandão está fazendo. É um investimento em promoção, é um investimento para trazer desenvolvimento econômico e social para o nosso estado, porque quando você promove você aumenta o fluxo turístico e esse fluxo faz circular a economia”, destacou.
Ela afirma ainda que o turismo possui forte efeito multiplicador na economia.
“É uma forma de melhorar a qualidade de vida da população, gerando oportunidade de negócio e emprego. Quando você promove, quando você investe, você tem um retorno de três vezes”, disse.
E qual pode ser o retorno?

A lógica econômica do turismo funciona em cadeia.
Se a campanha conseguir atrair apenas 3 mil turistas extras para o São João do Maranhão, considerando um gasto médio entre R$ 2 mil e R$ 3 mil por visitante durante hospedagem, alimentação, transporte, passeios e consumo cultural, o impacto econômico direto já poderia variar entre R$ 6 milhões e R$ 9 milhões circulando na economia maranhense.
Isso, nas ações de público final, sem a ação de agentes ou operadoras de turismo, o que geraria outros cálculos ou estimativa
Além do retorno financeiro imediato, há o fortalecimento da marca turística Maranhão.

Hoje o estado disputa atenção com destinos juninos já consolidados como Campina Grande, Caruaru, Recife e Salvador. Para competir nesse cenário, especialistas em marketing turístico afirmam que não basta possuir tradição cultural. É preciso presença de mercado, visibilidade e promoção contínua.

Do ponto de vista técnico do turismo, o Maranhão executa uma estratégia moderna de place branding, transformando cultura popular em ativo econômico e ferramenta de promoção turística.

Mais do que vender festa, o estado busca vender identidade, experiência e pertencimento cultural.
E é exatamente nisso que o Maranhão aposta ao ocupar espaços simbólicos como o Mercadão de BH, o CTN e a Avenida Paulista com o som das matracas e a força do São João maranhense.
Fotos cedidas pela Superintendência de Promoção da Setur-MA/Divulgação








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