“Eu já era empreendedora e não sabia”, diz Roberta Miranda na Feira do Empreendedor
- reginaldorodrigues3
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Em entrevista ao Cazumbá, cantora fala sobre carreira, geração de oportunidades e protagonismo feminino antes da palestra que encerra a programação da Feira, neste domingo (16), em São Luís

“Eu acho que já era empreendedora e não sabia.” A frase de Roberta Miranda resume uma trajetória que começou muito antes do sucesso nos palcos e ajuda a explicar por que uma das maiores representantes da música sertaneja brasileira foi escolhida para encerrar a programação da 12ª Feira do Empreendedor, neste domingo, 16 de agosto, em São Luís.
Pouco antes de subir ao palco do Auditório Darcy Ribeiro, no Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana, Roberta Miranda conversou com o Cazumbá sobre um aspecto de sua história que nem sempre aparece quando se fala de sua carreira: a capacidade de transformar talento em profissão, construir seu próprio espaço e movimentar uma cadeia de pequenos e grandes negócios em torno da música.

A artista apresentou, palestra magna “Um Lugar Todinho Meu: O protagonismo que transforma carreiras e negócios”, encerrando a programação da Feira do Empreendedor 2026, realizada pelo Sebrae Maranhão desde sexta-feira (14), no Multicenter Negócios e Eventos.
“Eu já empreendia”
Perguntado pelo Cazumbá sobre quando percebeu que, além de cantora, precisava pensar e agir como empreendedora para transformar talento em carreira e conquistar seu espaço, Roberta voltou aos primeiros passos de sua trajetória.

“Eu acho que eu já era empreendedora e não sabia, desde muito nova.”
Com o sucesso, essa percepção ganhou outra dimensão. A cantora passou a enxergar que uma carreira artística não movimenta apenas quem está sobre o palco. Ao chegar a uma cidade para realizar um espetáculo, uma extensa cadeia econômica também entra em movimento.
“Em cada lugar que eu passo, a gente gera empregos direta ou indiretamente, milhares”, destacou.

Roberta chamou atenção especialmente para aqueles que muitas vezes permanecem fora dos holofotes, mas encontram nos grandes eventos uma oportunidade para gerar renda.
“É tão bom chegar num lugar e você ver ali o cara vendendo seu algodão-doce, a sua barraquinha com comida, vendendo a sua roupa. Então, a Roberta Miranda movimenta desde o pequeno empreendedor até o grande empreendedor.”
É uma percepção que dialoga diretamente com a proposta da Feira do Empreendedor. Por trás de um grande evento, existe uma economia formada por vendedores, alimentação, transporte, produção, comércio, serviços, técnicos e inúmeros outros profissionais.

Para Roberta, portanto, não houve necessariamente um momento específico em que decidiu tornar-se empreendedora.
“Desde os primeiros passos eu já empreendia”, afirmou.
E acrescentou uma mensagem para quem enfrenta as dificuldades próprias de começar e manter uma atividade profissional:
“Não foi fácil. Qualquer profissão é difícil, mas a gente consegue.”
Mulher em um mercado predominantemente masculino
A segunda questão apresentada pelo Cazumbá levou a conversa para outro ponto diretamente relacionado à trajetória de Roberta Miranda: a presença feminina em espaços historicamente ocupados majoritariamente por homens.
Ao ser perguntada sobre o conselho que daria às mulheres que estão iniciando um negócio e precisam enfrentar dificuldades, rejeições e portas fechadas, a cantora enumerou aquilo que considera fundamental.
“Resiliência, garra, força, determinação”, respondeu.
E completou:
“Olha quanta coisa você tem que passar para conseguir o seu sonho.”

Roberta considera que as mulheres vivem atualmente um momento favorável para ampliar sua participação em diferentes espaços da sociedade, independentemente da idade, embora ressalte que ainda existe um longo caminho pela frente.
Para exemplificar essa desigualdade, a artista chamou atenção para a diferença entre a presença das mulheres na população brasileira e sua representação nos espaços de poder.
Na avaliação da cantora, não basta reconhecer que as mulheres demonstraram capacidade para ocupar esses lugares; é preciso ampliar efetivamente essa participação.
“A mulher nasceu com esse poder”

Foi ao recorrer a uma imagem do cotidiano que Roberta apresentou um dos argumentos mais fortes da conversa.
Para ela, a capacidade feminina de administrar recursos, enfrentar adversidades e encontrar soluções está presente há muito tempo dentro das próprias famílias, mesmo antes de receber o nome de empreendedorismo.
“Quem administra a miséria dentro da sua casa, o café com leite, o pãozinho com manteiga, às vezes não tem o que comer, sabe administrar tudo.”
A declaração aproxima o empreendedorismo de uma realidade vivenciada por inúmeras mulheres que, durante décadas, precisaram administrar orçamentos familiares reduzidos, criar alternativas de renda e encontrar soluções diante das dificuldades.
Segundo Roberta, questões culturais e educacionais contribuíram durante muito tempo para que muitas mulheres não reconhecessem essa própria capacidade.
“A mulher realmente nasceu com o poder que ela, por educação ou por cultura, não entendia isso. Hoje ela está cobrando o lugar que merece.”
Do palco para os negócios
A presença de Roberta Miranda no encerramento da Feira também amplia a discussão sobre aquilo que significa empreender.
Uma carreira artística consolidada envolve marca, gestão, equipes, contratos, produção, planejamento e capacidade de permanecer relevante diante das transformações do mercado. Ao mesmo tempo, movimenta uma cadeia que alcança desde grandes empresas até o vendedor informal instalado nas proximidades de um espetáculo.
É justamente nesse ponto que a trajetória da cantora encontra o universo dos milhares de pequenos empreendedores que passaram pela Feira desde sexta-feira.
Mudam a dimensão do negócio e a atividade desenvolvida, mas alguns desafios permanecem semelhantes: encontrar espaço, enfrentar rejeições, administrar recursos, identificar oportunidades e persistir.
Roberta Miranda subiu ao palco do Auditório Darcy Ribeiro, às 19h deste domingo (16), para compartilhar parte dessa trajetória na palestra “Um Lugar Todinho Meu”.
E antes mesmo da palestra, deixou ao Cazumbá uma síntese que serve tanto para sua história na música quanto para quem está começando um pequeno negócio: empreender pode começar muito antes de a própria pessoa perceber que já é empreendedora.








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