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Ofício das quebradeiras de coco babaçu ganha reconhecimento nacional e reforça a importância de uma tradição ainda viva no Maranhão

  • Foto do escritor: reginaldorodrigues3
    reginaldorodrigues3
  • há 18 horas
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 12 horas


O Senado Federal aprovou, em maio deste ano, o Projeto de Lei nº 37/2025, que reconhece oficialmente o ofício das quebradeiras de coco babaçu como manifestação da cultura nacional. A proposta contempla os estados do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins e segue para sanção presidencial.


Mais do que uma atividade econômica, o trabalho das quebradeiras representa um conjunto de saberes transmitidos entre gerações, envolvendo a coleta, a quebra e o beneficiamento do coco babaçu, além do aproveitamento de seus diversos subprodutos, utilizados na alimentação, no artesanato, na fabricação de óleo, sabão, carvão e outros itens do cotidiano.


A aprovação do projeto ocorre em um momento importante para a preservação dessa tradição, considerada símbolo de resistência feminina, de conservação ambiental e de valorização dos conhecimentos tradicionais. A relatora da proposta no Senado, senadora Damares Alves, destacou que a atividade está diretamente ligada ao modo de vida das comunidades, à organização coletiva e ao manejo sustentável dos babaçuais.


Maranhão concentra uma das maiores populações de quebradeiras do país



Embora o reconhecimento nacional seja recente, a história das quebradeiras de coco babaçu tem raízes profundas no Maranhão, estado considerado um dos principais territórios dessa atividade.


Em dezenas de municípios maranhenses, especialmente na região dos Cocais, no Médio Mearim e em áreas da Baixada Maranhense, o babaçu continua sendo fonte de renda, segurança alimentar e identidade cultural para milhares de famílias. Muitas mulheres ainda utilizam a tradicional machadinha para abrir o coco e retirar as amêndoas, mantendo um conhecimento herdado de mães, avós e bisavós.


Além da produção de óleo e carvão, o babaçu é aproveitado quase integralmente. Da amêndoa se extrai óleo e leite; da casca, carvão; do mesocarpo, farinha utilizada na alimentação; e das palhas são produzidos artesanatos, coberturas de casas e utensílios diversos.


Muito além da economia



O reconhecimento aprovado pelo Senado também lança luz sobre os desafios enfrentados pelas quebradeiras. Entre eles estão a redução dos babaçuais, os conflitos fundiários e as dificuldades de acesso às áreas de coleta, fatores que ameaçam a continuidade desse modo de vida tradicional.


No Maranhão, a luta das quebradeiras resultou em importantes conquistas, como as chamadas Leis do Babaçu Livre, que garantem o acesso das comunidades aos babaçuais e ajudam a proteger as palmeiras contra a derrubada indiscriminada.


Patrimônio vivo



Se para muitos brasileiros o babaçu é apenas uma palmeira típica do Norte e Nordeste, para milhares de mulheres maranhenses ele representa trabalho, autonomia, cultura e resistência.


O reconhecimento do ofício das quebradeiras de coco babaçu como manifestação da cultura nacional chega para valorizar uma tradição que permanece viva no Maranhão e que continua sendo fundamental para a preservação dos saberes populares, da economia comunitária e dos babaçuais que fazem parte da paisagem e da história do estado.


Fotos: Ascom MIQCB/Divulgação



 
 
 

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